A delegada Ana Paula Lamego Balbino, integrante da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), retomou suas atividades na última quinta-feira, dia 8 de outubro, após permanecer afastada por mais de um ano devido a licença médica. A confirmação da volta ao serviço foi divulgada oficialmente pela instituição. Ana Paula é esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, réu no processo que investiga o assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, ocorrido em Belo Horizonte. Além de sua relação familiar com o acusado, ela foi indiciada pelos crimes de prevaricação e porte ilegal de arma de fogo.
Segundo informações publicadas no Diário do Executivo, a delegada recebeu uma licença de 90 dias para ajustamento funcional, iniciada em 7 de outubro de 2025. Sua afastamento começou em 13 de agosto de 2025, logo após o assassinato de Laudemir. Inicialmente, ela foi afastada por um período de 60 dias, sendo posteriormente submetida a cinco prorrogações consecutivas de 60 dias cada, com as últimas ocorrendo em 12 de outubro, 11 de dezembro de 2025, 9 de fevereiro, 10 de abril e 9 de junho de 2026. A prorrogação mais recente, concedida em 8 de agosto do mesmo ano, totalizou mais de um ano de afastamento.
Durante todo esse período, Ana Paula continuou recebendo integralmente seu salário e benefícios, conforme previsto na legislação vigente. De acordo com dados do Portal da Transparência, sua remuneração bruta é de R$ 23.418,72. A legislação que regula a licença por motivo de saúde na Polícia Civil de Minas Gerais, especificamente o artigo 60 da Lei Orgânica, permite que o policial se afaste por tratamento de saúde sem prejuízo de seus vencimentos, mediante avaliação médica. Além disso, o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis de Minas Gerais, no artigo 170, reforça que o servidor licenciado para tratamento de saúde deve receber integralmente sua remuneração e vantagens durante o período de afastamento.
O processo criminal contra Renê da Silva Nogueira Júnior, que permanece preso, foi motivado por um homicídio que, segundo as investigações, ocorreu após um desentendimento banal no trânsito na rua Jequitibá, região Oeste de Belo Horizonte. Testemunhas relataram que o incidente envolveu um caminhão de coleta de lixo e uma fila de veículos que aguardava entrada na rua Modestina de Souza, com destino à Avenida Tereza Cristina. O réu, dirigindo um carro SUV, teria hesitado ao passar ao lado do caminhão, momento em que passou a insultar e ameaçar a motorista da coleta de lixo. Nesse episódio, os garis desceram do veículo para tentar apaziguar a situação. Ainda de acordo com testemunhas, foi nesse momento que Renê efetuou um disparo de arma de fogo, atingindo a região do abdômen de Laudemir, que ainda conseguiu caminhar até uma esquina antes de cair. Após o crime, o acusado seguiu pela rua Jequitibá e desapareceu na Avenida Tereza Cristina.
Horas após o homicídio, Renê foi localizado e preso em uma academia de alto padrão na região Oeste de Belo Horizonte. Sua prisão em flagrante foi ratificada posteriormente, sob acusação de homicídio qualificado e ameaça, com agravantes de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Investigações apontaram que a arma utilizada no crime estaria relacionada à delegada Ana Paula Balbino, o que levou à abertura de procedimento interno para apurar possível responsabilidade administrativa dela na posse ou uso do armamento.
Em setembro de 2023, o Ministério Público de Minas Gerais apresentou denúncia formal contra Renê, incluindo homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo, ameaça e tentativa de fraude processual. A denúncia detalhou três qualificadoras no crime: motivo fútil, perigo comum e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. O processo tramita atualmente na Justiça, aguardando julgamento.
Este caso evidencia uma complexa relação entre questões profissionais, familiares e criminais envolvendo a delegada Ana Paula Balbino, cuja volta ao trabalho após mais de um ano de afastamento ocorre em meio a investigações e processos judiciais que ainda estão em andamento.


