Um bombeiro militar de 36 anos, Diego Martins de Lima, passou por uma cirurgia de reconstrução no ombro direito após conviver por mais de dez anos com uma lesão que afetava suas atividades profissionais, seu sono e sua rotina familiar. O caso evidencia a importância do diagnóstico preciso e do tratamento adequado para lesões antigas que, apesar de subestimadas inicialmente, podem comprometer a qualidade de vida e o desempenho de profissionais de alta exigência física.
A lesão de Diego foi provocada por um grave acidente de moto ocorrido em 2012, enquanto ele trabalhava como técnico de enfermagem no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília. Na ocasião, após um plantão noturno, ele e um amigo foram até Cristalina, em Goiás, para visitar cachoeiras. No retorno, ao tentar ultrapassar veículos, colidiu com um caminhão vindo em sentido contrário, resultando na queda dos motociclistas e na severa lesão de Diego. Ele sofreu deslocamento do ombro, além de fraturas na tíbia e na fíbula, ossos da perna, sendo inicialmente atendido em Goiás e posteriormente transferido para o HFA.
Embora o atendimento inicial tenha incluído a colocação do ombro no lugar e fisioterapia, a dor persistente nunca foi totalmente resolvida. Diego precisou compensar os movimentos com o braço esquerdo para continuar realizando suas atividades diárias e profissionais, o que se tornou especialmente problemático ao ingressar no Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. Durante o curso de operações de busca e salvamento, ele passou a sentir dificuldades em tarefas que exigiam força e mobilidade do ombro, como flexões e uso de ferramentas específicas. Apesar de não ter sido afastado do trabalho antes da cirurgia, o bombeiro temia que a limitação pudesse forçá-lo a abandonar a profissão que escolheu.
A dor constante também afetava seu sono, impedindo-o de dormir sobre o lado direito, além de restringir momentos de lazer com seu filho. Com o passar do tempo, decidiu buscar uma nova avaliação médica. A partir do histórico clínico e do exame físico, o ortopedista e cirurgião de ombro e cotovelo Kaleu Costa Nery identificou uma instabilidade crônica no ombro direito, confirmada por exames de ressonância magnética e tomografia, que revelaram as estruturas comprometidas e a necessidade de intervenção cirúrgica.
A cirurgia, realizada com o uso de cinco âncoras cirúrgicas — dispositivos que fixam os tecidos ao osso —, teve como objetivo restaurar a estabilidade do ombro, devolvendo também a confiança e a capacidade física de Diego. Após o procedimento, o bombeiro utilizou uma tipoia e iniciou uma fase de recuperação que incluiu fisioterapia, fortalecimento muscular e reabilitação gradual dos movimentos. Durante esse período, foi afastado de suas funções operacionais, atuando temporariamente em tarefas administrativas, com retorno às atividades de resgate previsto para cerca de seis a oito meses após a cirurgia.
Ao longo do processo de recuperação, Diego retomou suas atividades com o filho, brincando na piscina e realizando treinamentos físicos. Além disso, conseguiu superar as etapas físicas de uma especialização em salvamento em altura. Após completar dois anos do procedimento, em setembro de 2026, ele afirma que recuperou todos os movimentos do braço, embora ainda sinta alguns estalos e uma dor leve, muito menor do que a anterior. Mantém, também, o fortalecimento muscular e planeja novas especializações na área de resgate.
Para Diego, o momento atual representa uma mudança de perspectiva. Ele destaca que não mais enxerga seu ombro como uma limitação, mas como uma conquista, reforçando a importância de buscar tratamento adequado para lesões antigas que, se negligenciadas, podem comprometer a vida profissional e pessoal. A experiência reforça a necessidade de atenção contínua às sequelas de acidentes e o valor de intervenções cirúrgicas modernas para a recuperação de profissionais que atuam em ambientes de alta exigência física.


