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Mulher descobre câncer de mama agressivo após diagnóstico inicial de alteração hormonal

Mulher descobre câncer de mama agressivo após diagnóstico inicial de alteração hormonal

Uma mulher de 45 anos, Catarina Novaes, identificou um tumor de mama de forma inesperada após uma sequência de exames e consultas médicas, que inicialmente indicaram uma alteração hormonal. O caso evidencia a importância do acompanhamento contínuo e do diagnóstico precoce no combate ao câncer de mama, uma das neoplasias mais frequentes entre as mulheres no Brasil e no mundo.

Catarina realizou uma mamografia em março, durante um check-up ginecológico, sem detectar alterações na mama esquerda. No entanto, cinco meses depois, em agosto, ela percebeu um nódulo na mesma região. Apesar de sua convicção de que a lesão era recente, ela procurou atendimento médico dois dias após notar o nódulo. A médica então avaliou que o nódulo não apresentava sinais de gravidade e sugeriu uma ultrassonografia futura, apenas para registrar a presença do achado, tranquilizando a paciente quanto à ausência de preocupação imediata.

Cerca de duas semanas após a consulta, Catarina realizou a ultrassonografia em um laboratório localizado em um shopping, onde o médico identificou o nódulo com algumas características que despertaram suspeitas. O profissional recomendou uma punção, embora tenha explicado que a alteração não significava, necessariamente, um problema grave. Essa recomendação levou a paciente a buscar uma ginecologista de confiança, que solicitou exames adicionais para investigar a origem do achado.

Segundo o oncologista Jorge Abissamra Filho, do Hospital Santa Clara, a ocorrência de câncer de mama não é descartada mesmo após uma mamografia considerada normal. Ele explica que tumores podem surgir entre os intervalos de exames de rastreamento ou serem invisíveis em exames de imagem, especialmente em mulheres com mamas densas. O especialista destaca que tumores do tipo triplo negativo, como o de Catarina, tendem a apresentar maior velocidade de crescimento, podendo evoluir de uma lesão pequena ou inexistente na mamografia para uma palpável em poucos meses.

A investigação de Catarina avançou com exames de imagem, incluindo mamografia, além de uma biópsia. O resultado revelou um câncer invasivo de grau 3. A partir desse diagnóstico, ela foi encaminhada a um mastologista, que recomendou a retirada do tumor por cirurgia conservadora, uma abordagem que preserva a maior parte da mama, devido à localização da lesão na região externa do seio. A cirurgia ocorreu sem complicações.

Após a cirurgia, Catarina passou por exames imuno-histoquímicos para definir o perfil do tumor. Inicialmente, o resultado indicou um tumor luminal B, mas a análise do material retirado na cirurgia revelou que o câncer era do subtipo triplo negativo, caracterizado pela ausência de receptores hormonais e da proteína HER2. Essa classificação influencia diretamente as estratégias de tratamento, que no caso de tumores triplo negativos, tendem a ser mais agressivas e a depender de quimioterapia.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é uma das principais causas de mortalidade entre mulheres, sendo considerado uma preocupação de saúde pública global. O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura, uma vez que tumores detectados em fases iniciais podem ser tratados com maior eficácia. Além disso, o reconhecimento de sinais precoces, como alterações na pele, caroços, sangramento ou mudanças na aparência de pintas, é fundamental para buscar atendimento médico oportuno.

No caso de Catarina, o tumor tinha 1,7 centímetro de diâmetro na sua fase inicial e envolvia um linfonodo, porém sem metástase em outros órgãos. Após o procedimento cirúrgico, ela iniciou o tratamento quimioterápico intravenoso em dezembro de 2024, que consistiu em 16 ciclos ao longo de cinco meses, além de sessões de radioterapia e quimioterapia oral. O tratamento foi concluído em novembro de 2025, com exames de controle que indicaram a ausência de alterações no organismo, indicando remissão da doença.

O oncologista Romualdo Barroso, do Hospital Brasília, reforça que a detecção precoce aumenta as possibilidades de cura e reduz a necessidade de tratamentos mais agressivos. Ele também destaca que fatores como idade, histórico familiar, alterações genéticas, sedentarismo, obesidade, consumo de álcool e tabagismo estão relacionados ao risco de desenvolver câncer de mama, sendo alguns desses fatores modificáveis por mudanças no estilo de vida.

Desde o diagnóstico, Catarina passou a adotar uma rotina de acompanhamento médico regular e a realizar exames periódicos. Ela também modificou alguns hábitos, como reduzir o consumo de álcool, priorizar uma alimentação mais saudável com frutas, legumes e verduras, além de aumentar a frequência de atividades físicas, buscando melhorar sua saúde geral e reduzir o risco de recorrência da doença.

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