Uma eventual vitória do candidato Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022 foi considerada, pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito (FEDD), como um possível retrocesso social para o Brasil. O grupo, que se posiciona de forma contrária às ações do candidato do Partido Liberal (PL), acusa Flávio de manipular a religião com fins políticos e declarou apoio ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa postura contrasta com a preferência de uma parcela significativa do eleitorado evangélico, que demonstrou preferência por Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
A manifestação da FEDD foi motivada por declarações do próprio candidato do PL, feitas durante ato em Goiânia, no início desta semana. Flávio afirmou que pretendia utilizar a influência da direita no Congresso para promover mudanças na Constituição Federal, com o objetivo de “redemocratizar” o Brasil, embora o país já esteja sob um regime democrático consolidado desde o fim do regime militar em 1985. Em sua fala, ele também mencionou propostas de revisão constitucional relacionadas à maioridade penal e ao fim da reeleição, temas que geraram preocupação entre os apoiadores de Lula.
A declaração de Flávio gerou reações de temor entre setores que apoiam o atual governo. A FEDD, fundada em 2016 durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, busca se distanciar das posições defendidas pela Frente Parlamentar Evangélica (FPE) no Congresso e adota uma pauta alinhada ao campo progressista. Entre seus objetivos estão a defesa da democracia, direitos humanos, justiça social, proteção às minorias, fortalecimento de políticas públicas e a promoção da separação entre religião e política, por meio de ações pedagógicas.
Segundo o grupo, a intenção é conscientizar os mais de 33 milhões de evangélicos que não votaram no primeiro turno, buscando influenciar o eleitorado de forma a evitar um possível retrocesso civilizatório. A estratégia da FEDD também tem sido parcialmente adotada pela campanha de Lula, que busca atrair eleitores evangélicos que votaram em candidatos como Augusto Cury (Avante), que obteve 2,89% dos votos válidos no primeiro turno, mas que declarou apoio a Flávio Bolsonaro após o pleito.
Apesar de Flávio manter vantagem nas pesquisas prévias, o apoio de figuras como Cury e a mudança de postura de alguns eleitores indicam potencial de migração de votos para Lula na fase final da campanha. O petista, por sua vez, tem feito esforços para ampliar sua presença junto ao segmento evangélico, apesar de resistências internas e da vantagem consolidada de Bolsonaro e seus apoiadores.
Na quarta-feira (8/10), durante encontro com jovens congressistas do PT e partidos aliados em Brasília, Lula reforçou a importância do apoio das igrejas evangélicas, destacando a influência dessas instituições entre as classes mais pobres. O presidente relacionou a atuação das igrejas à busca por emprego, esperança e melhorias de vida, ressaltando que a mensagem de prosperidade transmitida por alguns segmentos evangélicos pode devolver esperança aos fiéis, especialmente aqueles em dificuldades financeiras.
O cenário eleitoral mostra uma redução na diferença de apoio entre Lula e Flávio Bolsonaro entre os evangélicos. Dados de pesquisas como a Quaest, divulgada em 28 de setembro, indicam que Lula subiu de 23% para 27% na intenção de votos entre esse grupo. Já a pesquisa do BTG/Nexus apontou que, nesse mesmo período, Lula tinha 31% das preferências entre evangélicos, contra 50% de Bolsonaro. Essa mudança de cenário reforça a importância do segmento na disputa presidencial e evidencia o esforço de ambos os lados para conquistar esse eleitorado estratégico.


