Um homem de 46 anos, residente em Brasília, enfrenta uma condição neurológica extremamente rara, conhecida como fístula liquórica espontânea, que provoca vazamento de líquido cefalorraquidiano (líquor) do cérebro e da medula espinhal. Desde o diagnóstico, realizado em 2022, Alexandre Oliveira vive majoritariamente deitado devido às dores intensas e aos episódios de perda de consciência que a doença provoca, dificultando sua rotina diária e sua qualidade de vida.
A fístula liquórica espontânea ocorre quando há uma ruptura ou vazamento do líquor através das meninges, as membranas que envolvem o sistema nervoso central, sem que haja histórico de trauma, cirurgia ou procedimento médico prévio. Segundo o neurologista e neuroimunologista Thiago Taya, do Hospital Brasília Águas Claras, essa condição pode surgir por pequenos atritos crônicos entre a dura-máter — uma das meninges — e osteófitos, que são projeções ósseas conhecidas popularmente como bico de papagaio, além de rompimentos de bolsas ou cistos nas raízes nervosas, ou ainda por conexões anormais entre o espaço do líquor e as veias da coluna, denominadas veias peridurais.
O vazamento provoca uma redução da pressão do líquor, que se torna mais acentuada ao ficar em pé, já que a força gravitacional favorece a saída do líquido, enquanto deitado a pressão melhora. Essa alteração na pressão causa distorções nas meninges, resultando em dores de cabeça severas, além de episódios de rebaixamento de consciência, desmaios, sonos profundos e perda de memória. Alexandre relata que, durante esses episódios, chega a perder horas ou até dias de sua memória, sendo encontrado por familiares em seu quarto ou na cozinha, após longos períodos de sono sem recordação.
Apesar do risco de complicações graves, como hematomas subdurais, tromboses e meningite bacteriana, a condição em si raramente leva à morte. O tratamento mais comum consiste na realização de um procedimento chamado blood patch, que utiliza o próprio sangue do paciente para fechar o vazamento. Em casos menos graves, o manejo conservador, com repouso, uso de analgésicos e cafeína — que estimula a produção de líquor —, costuma ser adotado enquanto se aguarda uma intervenção definitiva.
O caso de Alexandre foi inicialmente confundido com uma trombose cerebral, levando à sua internação emergencial. No entanto, uma segunda opinião médica, solicitada por sua ex-esposa, que é enfermeira, revelou que não se tratava de trombose, mas sim de uma fístula liquórica espontânea, confirmada por exames de imagem de crânio e coluna. Os exames indicaram vazamento de líquor nas regiões cervical e torácica. O tratamento inicial incluiu repouso e administração de soro, o que proporcionou uma melhora temporária, porém os sintomas retornaram em poucos dias.
Desde então, Alexandre passou por tratamentos complexos e invasivos, incluindo o uso de medicamentos fortes, mas sem sucesso em aliviar suas dores incapacitantes. Em 2024, seu tratamento foi transferido para o Sistema Único de Saúde (SUS), onde seus médicos solicitaram uma mielografia, exame que não está disponível na rede pública. Para isso, sua filha, Isabela, criou uma campanha de arrecadação virtual para custear o procedimento e uma consulta especializada em São Paulo, já que o tratamento adequado é fundamental para seu quadro.
Alexandre atualmente encontra-se aposentado por invalidez, mas mantém um trabalho como motorista de aplicativo em pequenas horas, devido às limitações físicas. Sua condição exige que ele permaneça na maior parte do tempo deitado, evitando esforços que possam agravar os sintomas. A família enfrenta dificuldades financeiras para custear os exames e tratamentos necessários, o que reforça a importância de recursos adicionais para garantir o cuidado adequado ao paciente.


