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Campanha de Flávio Bolsonaro critica decisão do STF que favorece Lula em caso envolvendo Nossa Senhora Aparecida

Campanha de Flávio Bolsonaro critica decisão do STF que favorece Lula em caso envolvendo Nossa Senhora Aparecida

A campanha do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) manifestou-se neste domingo (27/9) contra a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a circulação de uma publicação do humorista Antonio Tabet relacionada à polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. A medida gerou críticas por parte da campanha de Bolsonaro, que acusou Dino de agir de forma a favorecer o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, na disputa eleitoral.

Segundo o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, a decisão do ministro do STF estaria “atropelando regras de competência, distribuição e a própria Justiça Eleitoral”. Marinho afirmou ainda que a liberação do conteúdo favoreceria Lula e seu grupo político, ao permitir a circulação de informações consideradas falsas. A decisão de Dino anulou uma determinação anterior do ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que havia ordenado a remoção do conteúdo.

A controvérsia teve início na noite de 24 de setembro, quando começaram a circular na internet publicações alegando que Flávio Bolsonaro estaria por trás de um projeto para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, de sua condição atual. A postagem que desencadeou o conflito foi feita pelo humorista Antonio Tabet, que, sem mencionar explicitamente Flávio Bolsonaro, afirmou: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”. A mensagem foi interpretada por apoiadores do ex-deputado como uma referência à suposta tentativa de retirar o título da santa.

A reação do Tribunal Federal foi rápida. O ministro André Mendonça determinou a remoção da postagem de Tabet, além de exigir que plataformas digitais eliminassem qualquer conteúdo que ligasse Flávio Bolsonaro à questão de Nossa Senhora Aparecida. No entanto, na manhã de domingo, Flávio Bolsonaro e sua equipe jurídica questionaram a decisão, alegando que não há intenção de retirar o título da santa e que uma representação foi protocolada na Justiça Eleitoral para responsabilizar os envolvidos na disseminação do boato.

O episódio ganhou força após uma análise realizada na TV na semana anterior, na qual um comentarista mencionou uma suposta reação de setores católicos contrários a um projeto de lei que buscava alterar o status de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Essa discussão foi alimentada por uma proposta apresentada em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli (MDB-MT), que sugeria modificar a legislação sobre o feriado de 12 de outubro, substituindo a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Galli, que integrou o governo de Jair Bolsonaro como assessor especial, também esteve ligado a controvérsias envolvendo a questão religiosa.

A publicação de Antonio Tabet, que não fez menção direta a Flávio Bolsonaro, foi posteriormente retractada pelo canal responsável, que pediu desculpas e reconheceu o erro na forma de veiculação da informação. Ainda assim, o conteúdo viralizado na internet acabou reforçando a narrativa de que o senador estaria envolvido em uma tentativa de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida, alimentando a polarização eleitoral e o debate sobre o uso de temas religiosos na política.

A decisão do STF de permitir a circulação do conteúdo, embora contestada por apoiadores de Bolsonaro, foi vista por eles como uma defesa à liberdade de expressão, enquanto integrantes da campanha adversária criticaram a postura do tribunal, acusando-o de interferir na disputa eleitoral de forma parcial. O episódio evidencia a complexidade do debate sobre liberdade de expressão, influência religiosa e política no cenário eleitoral brasileiro.

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