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Caiado defende liberdade religiosa e classifica apostas como “doença” em evento em Goiânia

Caiado defende liberdade religiosa e classifica apostas como “doença” em evento em Goiânia

O candidato ao cargo de presidente da República, Ronaldo Caiado (PSD), manifestou-se neste domingo, 27 de setembro, sobre temas que têm marcado o cenário político e religioso nos últimos dias, destacando-se a polêmica envolvendo a devoção a Nossa Senhora Aparecida e a proibição das apostas esportivas no Brasil. As declarações ocorreram após Caiado participar de uma missa na cidade de Goiânia, Goiás, e reforçam sua postura de defesa da liberdade religiosa e de críticas às ações que, segundo ele, promovem intolerância e conflito entre diferentes grupos de fé.

Durante sua fala, Caiado criticou a politização de questões religiosas, afirmando que as diferenças de fé não devem ser utilizadas como instrumentos de enfrentamento ou divisão social. Ele destacou que o Estado brasileiro tem o dever de garantir o direito à liberdade religiosa, independentemente de crença ou opção espiritual. “Eu, realmente, repudio frontalmente todos aqueles que querem usar de um momento como esse, de qualquer restrição a qualquer opção religiosa que a pessoa tenha. Isso é um direito de cada um e cabe ao Estado brasileiro garantir essa liberdade religiosa”, declarou.

Como católico praticante, Caiado também comentou o clima de intolerância que, na sua avaliação, tem se intensificado na política e na sociedade brasileira, caracterizado por episódios de “ódio” entre diferentes grupos. Segundo ele, esse ambiente tem prejudicado o bom senso e a convivência pacífica, especialmente durante o período eleitoral, onde há uma crescente polarização. “O ódio está dominando um segmento da sociedade brasileira e está distorcendo totalmente o bom senso, o equilíbrio de uma campanha eleitoral, da convivência entre as pessoas. Brigam por tudo”, afirmou.

A manifestação de Caiado ocorre num momento de forte repercussão de episódios envolvendo Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, que ganharam destaque após conteúdos nas redes sociais associarem o candidato Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta proposta de retirada do título de Padroeira do país. Flávio Bolsonaro negou qualquer intenção nesse sentido, afirmando que não há propostas oficiais nesse sentido.

No que diz respeito às apostas esportivas, Caiado classificou o vício em jogos de azar como uma “doença”. Ele reforçou que é contrário à prática de jogos de azar e que essa posição está refletida em seu plano de governo. O candidato defendeu uma abordagem que priorize ações educativas, além de restrições severas à publicidade de apostas. “Primeiro, um projeto educativo para a sociedade. Em segundo lugar, restrições duras na publicidade. E, a partir daí, você vai graduando e vendo as medidas que devem ser tomadas. É assim que eu me posicionei. É assim que está no meu plano de governo”, explicou.

Caiado também trouxe à tona sua experiência como governador de Goiás para ilustrar sua postura contrária às apostas. Ele afirmou que Goiás foi o único estado do Brasil a não autorizar loterias durante sua gestão, o que, na sua visão, evidencia seu posicionamento restritivo em relação ao tema. “Eu sou tão restritivo a jogo. Eu acredito que sou o único estado no Brasil que não autorizou loteria. Eu não autorizei loteria no meu estado de Goiás enquanto fui governador. Isso mostra o quanto eu sou avesso a jogo, o quanto isso realmente leva a um quadro que nós estamos assistindo: problema financeiro, depois problema social, familiar, agressão, suicídio, tudo isso.”

A declaração de Caiado ocorre em um contexto nacional de mudanças na legislação sobre apostas esportivas. Na sexta-feira, 25 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou uma medida provisória que proíbe as apostas no Brasil, determinando o encerramento das atividades das plataformas de apostas esportivas e estabelecendo regras para a retirada de valores pelos usuários. A medida tem validade imediata, mas necessita de aprovação do Congresso Nacional para sua vigência definitiva.

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