O cantor Leonardo, de 63 anos, decidiu suspender o consumo de bebidas alcoólicas após resultados de exames de rotina indicarem aumento nos níveis de triglicérides. Segundo informações divulgadas pela assessoria do artista, a alteração nos exames não foi considerada grave, mas levou à recomendação de uma pausa de 30 dias na ingestão de álcool, além de ajustes na dieta, para uma nova avaliação dos seus níveis lipídicos.
Os triglicérides representam o principal tipo de gordura presente no sangue e funcionam como uma reserva de energia para o organismo. Quando seus níveis estão elevados, podem estar associados a alterações metabólicas que aumentam o risco de doenças cardiovasculares. O consumo de álcool é um fator importante nesse contexto, pois interfere diretamente no metabolismo das gorduras. De acordo com o endocrinologista Marcio Mancini, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o organismo prioriza a metabolização do álcool em relação a outros nutrientes, o que impacta na formação e circulação de triglicérides.
“O álcool não é armazenado pelo corpo, então o fígado precisa metabolizá-lo primeiro. Quando isso ocorre, a gordura ingerida acaba sendo acumulada, contribuindo para o aumento dos triglicérides no sangue”, explica Mancini. Além do efeito direto do álcool, o consumo costuma estar associado à ingestão de alimentos mais gordurosos e ricos em carboidratos, o que potencializa o impacto sobre os níveis de gordura no organismo. Essa combinação de fatores pode acelerar o aumento dos triglicérides, agravando o quadro de dislipidemia.
Especialistas ressaltam que não há um valor específico de triglicérides no exame que, isoladamente, determine a suspensão do consumo de álcool. A decisão deve levar em consideração o quadro clínico individual, hábitos de vida e outros fatores de risco presentes na pessoa. Contudo, uma alteração nos exames já é suficiente para indicar a necessidade de mudanças no estilo de vida. “Não há uma regra rígida, mas a avaliação do contexto de cada paciente é essencial. Quando há alterações, recomenda-se ajustar hábitos como alimentação, prática de atividades físicas e consumo de álcool”, afirma Mancini.
Além do álcool, outros fatores também contribuem para o aumento dos triglicérides, como o consumo excessivo de carboidratos, o ganho de peso, o sedentarismo e o uso de certos medicamentos. A interrupção do consumo de álcool, mesmo que temporária, pode promover melhorias rápidas nos níveis lipídicos. Segundo o endocrinologista Marcio Lauria, coordenador do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da SBEM, uma pausa de aproximadamente 30 dias costuma ser suficiente para observar uma redução nos triglicérides.
A importância de monitorar os níveis de triglicérides está relacionada aos riscos à saúde. Valores elevados, especialmente acima de mil mg/dL, aumentam significativamente o risco de pancreatite aguda, uma inflamação severa do pâncreas que pode requerer hospitalização. Além disso, níveis elevados também elevam o risco de doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). Mesmo quando os níveis estão abaixo desses limites críticos, alterações nos exames podem indicar predisposição a problemas metabólicos e cardiovasculares futuros.
Os especialistas reforçam a importância de não ignorar alterações nos exames de sangue, mesmo na ausência de sintomas aparentes, e de seguir as recomendações médicas para evitar complicações. A adoção de hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e moderação no consumo de álcool, são estratégias essenciais para manter os níveis de triglicérides sob controle e promover uma melhor saúde cardiovascular a longo prazo.


