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Dólar apresenta queda e Ibovespa avança em meio a recuos no petróleo e expectativas eleitorais

Dólar apresenta queda e Ibovespa avança em meio a recuos no petróleo e expectativas eleitorais

Nesta segunda-feira (21/9), o mercado financeiro brasileiro registrou uma significativa redução no valor do dólar frente ao real, que caiu 0,70%, cotado a R$ 5,10. Paralelamente, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), o Ibovespa, operou em alta, encerrando o dia com uma valorização de 0,74%, aos 186.500 pontos. Esse movimento reflete uma combinação de fatores internos e externos, incluindo o quarto dia consecutivo de queda nos preços internacionais do petróleo e a expectativa de avanços nas negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã.

O otimismo nos mercados de câmbio e ações foi impulsionado pelo recuo dos contratos futuros do petróleo, influenciado por uma melhora nas perspectivas de um possível acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Os contratos de petróleo Brent para novembro, referência internacional, recuaram 3,40%, sendo negociados a US$ 100,34 por barril. Já os contratos de WTI para outubro, que norteiam o mercado norte-americano, tiveram uma queda de 4,51%, fechando a US$ 95,78 por barril. Essa tendência de baixa foi motivada, em grande parte, por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à Fox News, na qual indicou estar aberto a um encontro com o líder iraniano, Masoud Pezeshkian, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que se inicia nesta terça-feira (22/9).

Segundo o jornal The New York Times, Trump também teria desistido de realizar ataques a alvos de militantes houthis, aliados do Irã, mesmo com pressões da Arábia Saudita. Além disso, houve aumento no fluxo de petróleo na região afetada por conflitos, o que contribui para a redução da pressão inflacionária global decorrente da alta dos preços do petróleo. Essa diminuição dos preços internacionais do petróleo impacta positivamente os mercados de títulos de dívida dos Estados Unidos, os Treasuries, que apresentaram queda nas taxas de juros. A taxa da T-Note de 10 anos caiu de 4,997% para 4,955%, enquanto a do T-Bond de 30 anos reduziu de 5,325% para 5,284%. Esses títulos representam uma referência importante no mercado global, influenciando a atratividade de investimentos em ativos de maior risco, como ações e o próprio dólar.

No cenário internacional, o mercado também reage positivamente ao encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, e da China, Xi Jinping, previsto para a próxima quinta-feira (24/9). A expectativa é de que as discussões possam resultar na redução de tensões relacionadas às tarifas comerciais e no avanço em temas como inteligência artificial, o que reforça o apetite global por risco. Como consequência, as principais bolsas europeias encerraram o dia em alta, assim como os índices de Nova York. O Dow Jones subiu 0,71%, fechando aos 52.048,83 pontos; o S&P 500 avançou 1,49%, atingindo 7.764,70 pontos; e o Nasdaq, com foco em tecnologia, valorizou-se em 2,26%, para 27.122,09 pontos.

No âmbito doméstico, o mercado financeiro ajustou suas projeções para a política monetária brasileira, reduzindo a expectativa para a taxa Selic ao fim de 2026 de 13,75% para 13,50%. Essa alteração acompanha a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que na última quarta-feira (16/9) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 13,75%. Além disso, as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano foram ligeiramente elevadas de 4,90% para 4,92%, refletindo as expectativas do mercado financeiro, conforme divulgado no Boletim Focus pelo Banco Central nesta segunda-feira.

As pesquisas eleitorais também influenciaram o cenário interno. Segundo o levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda, há uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), com uma tendência de empate técnico tanto para o primeiro quanto para o segundo turno. Analistas do mercado destacam que, apesar de a Petrobras e a Vale terem apresentado queda nas ações, o Ibovespa conseguiu subir devido às expectativas de uma possível nova redução na taxa Selic na reunião de novembro do Copom, além do otimismo gerado pelas pesquisas eleitorais favoráveis ao candidato Flávio Bolsonaro, considerado uma preferência de parte do mercado.

No câmbio, o dólar à vista recuou, distanciando-se do índice DXY, que avançou 0,21% aos 100 pontos, refletindo uma melhora no apetite ao risco. Especialistas atribuem esse movimento ao impacto dos dados das pesquisas eleitorais, que indicam empate técnico, mantendo o cenário de incerteza eleitoral e contribuindo para a estabilidade do real. Por fim, os juros futuros também fecharam o dia em queda, em um pregão marcado por um alívio generalizado na curva de juros, reforçando a percepção de estabilidade e menor risco no mercado de renda fixa brasileiro.

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