Uma pesquisa nacional conduzida pela Quaest em parceria com a Pax aponta que 86% dos brasileiros são favoráveis à implementação de inteligência artificial (IA) nas ações de segurança pública. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (18 de setembro), indicam um amplo respaldo da população ao uso de tecnologias avançadas no combate à criminalidade, refletindo uma preocupação crescente com a segurança e uma abertura às inovações nesse setor.
De acordo com o levantamento, 60% dos entrevistados manifestaram-se totalmente favoráveis à utilização de IA na segurança, enquanto outros 26% demonstraram uma postura mais favorável do que contrária. Por outro lado, 9% da amostra apresentaram algum grau de oposição ao tema. Desse grupo, 4% são mais contrários do que favoráveis, e 5% declararam ser totalmente contrários ao uso de inteligência artificial na área de segurança pública. Ainda há 2% que não possuem opinião definida ou optaram por não responder, além de 3% que não souberam ou preferiram não se manifestar.
Segundo Guilherme Russo, diretor de Inteligência em Opinião da Quaest, os resultados refletem uma preocupação crescente da população com a segurança pública e uma disposição maior para aceitar novas ferramentas tecnológicas no combate ao crime. “A pesquisa confirma a preocupação atual dos brasileiros com a segurança e evidencia uma abertura ao uso de tecnologia como uma estratégia eficaz”, afirmou Russo.
Entre os principais motivos de resistência ao uso de IA, os entrevistados apontaram, principalmente, o risco de erros e de identificação injusta de pessoas, citados por 16% do grupo opositor. Outros fatores relevantes incluem a percepção de que a tecnologia não funciona ou não contribui para melhorar a segurança, com 15%, além de preocupações relacionadas à invasão de privacidade, que foi mencionada por 12%. Ainda, 10% demonstraram falta de confiança na inteligência artificial e nas tecnologias relacionadas.
A pesquisa também revelou forte apoio às aplicações específicas de IA na segurança pública. A utilização de câmeras equipadas com inteligência artificial para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas recebeu a maior aprovação, com 97% dos entrevistados favoráveis. A identificação de veículos roubados ou utilizados em crimes, bem como a localização de foragidos da Justiça, também receberam alta taxa de aprovação, ambas com 96%. Além disso, 93% dos participantes concordam que o uso de câmeras de monitoramento integradas a ferramentas de IA e ao trabalho policial é uma estratégia efetiva para aprimorar a segurança no país.
Os entrevistados também destacaram a potencial contribuição dessas tecnologias em atividades de patrulhamento e prevenção de crimes nas ruas, com 96% apoiando essa aplicação. A coleta de dados por meio de câmeras conectadas a sistemas de IA é vista como uma ferramenta que pode fortalecer a segurança pública em diferentes situações, especialmente na vigilância e na resposta rápida a incidentes.
A pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 15 de setembro, com uma amostra de 2.004 entrevistas distribuídas por todo o Brasil. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, considerando um nível de confiança de 95%. Esses dados reforçam a tendência de aceitação crescente de tecnologias de inteligência artificial como aliadas no enfrentamento à criminalidade, apesar das preocupações relacionadas à privacidade e à precisão dos sistemas.


