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Mulher denuncia patrão após encontrar vídeos íntimos dela no banheiro de imobiliária em Minas Gerais

Mulher denuncia patrão após encontrar vídeos íntimos dela no banheiro de imobiliária em Minas Gerais

Uma jovem de 25 anos registrou denúncia contra o empregador após descobrir vídeos feitos pelo próprio patrão, de 53 anos, no banheiro da imobiliária onde trabalhava, localizada em Santa Juliana, no Triângulo Mineiro. O caso veio à tona na última terça-feira, dia 1º de outubro, e resultou na prisão em flagrante do empresário, que admitiu ter escondido seu celular no local com a finalidade de filmar a funcionária sem seu consentimento.

Segundo o boletim de ocorrência, Vitória Lacerda Ferreira suspeitava do comportamento do chefe, especialmente após perceber acessos frequentes às suas redes sociais por parte dele. A descoberta ocorreu quando o empresário, durante uma tarefa, entregou a ela um celular desbloqueado para realizar um pagamento relacionado à empresa. Ao verificar as abas abertas, Vitória encontrou, na lixeira da galeria do aparelho, vídeos feitos dentro do banheiro da imobiliária, nos quais ela aparece parcialmente nua enquanto utilizava o espaço. Ela relata que o empresário teria posicionado o celular de modo oculto para registrar as imagens sem autorização, o que a deixou em estado de choque, levando-a às lágrimas.

Após encontrar as evidências, Vitória registrou as imagens com seu próprio celular e procurou uma pessoa conhecida que trabalhava em uma construção próxima, buscando orientação. Seguindo o conselho de acionar a polícia, ela chamou seu companheiro e foi até a delegacia. Antes de sair, retornou à imobiliária para buscar um capacete e confrontar o chefe sobre as imagens, momento em que, segundo relato, o empresário teria lhe dado um tapa no rosto durante a discussão.

Na delegacia, o empresário inicialmente negou a instalação de qualquer câmera no banheiro, mas posteriormente confessou que escondeu o celular no local para filmar a funcionária. Ele foi preso em flagrante e conduzido às autoridades. Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, ele negou ter divulgado as imagens ou cometido outros atos ilícitos contra Vitória. No entanto, ela afirma ter descoberto relatos de outras mulheres que também trabalharam para o mesmo patrão e que tiveram experiências similares.

Entre os casos revelados, há uma gravação de uma ex-funcionária de 17 anos, feita em 2024, em que o empresário aparece sentado no ambiente de trabalho, com o órgão genital exposto diante de funcionárias. Essa jovem pediu demissão após o episódio, mas não formalizou denúncia na época. Outra denúncia registrada refere-se a uma jovem de 19 anos, também ex-funcionária, que relatou uma tentativa de abuso sexual durante o expediente, na qual o empresário teria tocado partes do corpo dela e exposto seu órgão genital.

Vitória também revelou que outras mulheres procuraram seu apoio após a divulgação do caso. Ela conta que, após a prisão do empresário, um familiar dele teria entrado em contato propondo um acordo financeiro para evitar que o caso fosse levado à Justiça. A jovem trabalhava na imobiliária sem carteira assinada, apesar de ter solicitado a formalização do vínculo, promessa que, segundo ela, nunca foi cumprida.

O caso tem causado impacto na rotina de Vitória, que iniciou acompanhamento psicológico em decorrência do ocorrido. Ela afirma que sua luta é por todas as mulheres vítimas de abuso e assédio, destacando a importância de denunciar. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais indicam que, em 2024, foram registrados 536 casos de estupro e 381 de importunação sexual no estado. Nos primeiros cinco meses de 2025, esses números chegaram a 496 e 334, respectivamente.

A reportagem tentou contato com o empresário envolvido, mas não obteve retorno até o momento da publicação. A Polícia Civil de Minas Gerais investiga o caso, que envolve crimes de estupro, importunação sexual e violação de privacidade.

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