Há exatos 13 anos, o Atlético Mineiro comemorava o primeiro e até hoje único título da Copa Libertadores. A decisão contra o Olimpia, disputada no Mineirão, ficou marcada pelo gol de Léo Silva que abriu a possibilidade de levar a decisão às cobranças de pênalti. O feito, que consolidou o feito histórico do clube, é lembrado por um de seus protagonistas daquela campanha: o ex-goleiro Victor Bagy, hoje comentarista da TV Globo e ex-diretor de futebol do Atlético, que participou de um bate-papo no Galocast, da Galo TV, para relembrar os capítulos daquela conquista.
Em sua participação, Bagy destacou a importância do lance que alavancou o Alvinegro na partida contra os paraguaios, enfatizando que teve “visão privilegiada do lance”. O roteiro daquele dia, segundo ele, foi de pressão constante do Atlético na tentativa de furar a defesa adversária, com o time mineiro buscando alternativas desde o início da etapa final. Bagy lembrou ainda que o Olimpia teve um jogador expulso previamente e mencionou o lance do suposto erro de Ferreyra, associando-o à construção da jogada que culminou no gol.
“Lembro que o Olimpia teve um jogador expulso e já tinha rolado o lance do escorregão do Ferreyra. Logo em seguida sai a situação e o Léo, de forma ridícula, tentando cavar o pênalti”, afirmou o ex-goleiro, que acompanhava as ações de perto naquela noite, acompanhando com ares de quem viveu intensamente o momento. “Foram mais de cinquenta bolas cruzadas na área deles neste jogo”, completou, ressaltando o volume de bolas longas e cruzes que buscavam desequilibrar a defesa paraguaia.
Quanto ao momento decisivo, Bagy descreveu a sequência de quase milésimos de segundo que conduziu ao gol. “Quando a bola viaja, já no segundo lance, o Léo encosta e parece que, naquele momento, a bola parou no ar. Houve uma tensão e eu só me dei conta que foi gol, quando vi a bola batendo no canto da trave e o goleiro adversário saindo comemorando igual louco, enquanto a torcida explodia no Mineirão. Ali eu falei: vai dar e esta Libertadores é nossa”, relatou o ex-guardião, que afirmou ter tido a percepção de que o lance poderia selar a vitória do time de Belo Horizonte.
O próprio Bagy reforçou a dimensão daquele momento: “Parece que aquela bola não ia cair nunca no gol, na perspectiva que eu estava. Quando vi o Martin Silva parado, só como espectador, e a bola pegando no cantinho da rede, foi uma loucura. Parecia que a bola estava em câmera lenta e eu com uma visão privilegiada”, acrescentou, referindo-se ao guarda-redes do Olimpia e à aflição de quem assistia à final do ponto de vista de quem defendia as redes do Atlético.
O registro também evidencia o espírito de amizade entre os protagonistas da época, mesmo após o encerramento de suas carreiras esportivas. Bagy e Léo Silva, amigos, riram da lembrança da tentativa de cavar pênalti por parte do atacante, lembrando com humor aquele trecho da final. As memórias, preservadas em entrevistas e nos relatos de quem viveu a campanha, reforçam a importância daquele título para o Atlético Mineiro, que, em 2013, conquistou o título continental pela primeira e única vez na história do clube até o momento. A narrativa de Bagy, com o tom de quem presenciou de perto a vitória, reforça não apenas o feito esportivo, mas o significado emocional para a torcida atleticana, que celebra até hoje aquele retorno à grande decisão do futebol sul-americano.


