A senadora Soraya Thronicke (União Brasil) afirmou, na noite de domingo (18/10), que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria feito ameaças envolvendo a divulgação de imagens e informações sobre a transição de gênero de seu filho durante a campanha presidencial de 2022. A declaração foi feita em entrevista ao podcast “3 Irmãos”, sediado em Araguari, Minas Gerais, e marca pela primeira vez que a parlamentar pública esse episódio, que considera uma tentativa de coação.
Segundo Soraya, durante o primeiro turno das eleições daquele ano, ela recebeu por cerca de um ano arquivos anônimos contendo fotos do antes e depois da transição de gênero de seu filho, que é um homem transsexual. A parlamentar relatou que a ameaça de vazamento dessas informações teria partido da campanha de Lula, então candidato à presidência, e que a própria campanha do ex-presidente Bolsonaro teria sido informada sobre a situação.
Ela explicou que, conforme relatos, o então candidato Lula teria informado que, após um jantar com jornalistas e membros do PT, teria recebido uma mensagem de Bolsonaro, na qual o ex-presidente teria afirmado que iria divulgar detalhes pessoais do filho de Soraya, referindo-se a ele como uma figura conservadora. A senadora destacou que foi alertada de que deveria estar preparada para a repercussão desses vazamentos, o que a levou a tomar medidas para proteger sua família.
Soraya revelou que, diante dessas ameaças, ela decidiu afastar seu filho do foco público, mudando-o para o interior e retirando-o de ambientes de maior exposição. Ela também contou que, durante a campanha, passou por uma crise de pânico, motivada pelo medo da exposição e do impacto que a divulgação dessas informações poderia causar ao seu filho, além de relatar que a campanha de Lula questionou se sua família estaria “preparada” para lidar com possíveis repercussões.
A parlamentar destacou que, após superar o momento de crise, enviou uma mensagem direta a Bolsonaro, desafiando-o a cumprir a ameaça. Ela afirmou que quer que o ex-presidente confirme se realmente pretende divulgar as informações, dizendo que, se fizer isso, enfrentará consequências, embora assegure que sua resposta será dentro dos limites legais. Soraya também classificou Bolsonaro como um “covarde” por não ter tido coragem de cumprir a ameaça.
A declaração de Soraya Thronicke é inédita e teria sido um dos motivos que levaram ao rompimento de suas relações com Bolsonaro. A senadora, que foi próxima do bolsonarismo, rompeu com o ex-presidente durante as eleições de 2022, permanecendo neutra no segundo turno daquela disputa. Posteriormente, passou a apoiar o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante seu mandato.
Na eleição de 2026, Soraya candidatou-se ao Senado pelo PSB, obtendo aproximadamente 13,07% dos votos válidos, o que a colocou na quarta colocação. Ela deixará o cargo em janeiro de 2027, após não conseguir a reeleição. Sua revelação reacende debates sobre o uso de estratégias de intimidação na política brasileira e evidencia o impacto que temas pessoais podem ter no cenário eleitoral.


