A federação formada pelo PSOL e pela Rede formalizou, neste domingo (26), as candidaturas para vagas no Legislativo de Minas Gerais durante convenção realizada na Câmara Municipal de Belo Horizonte. O principal desdobramento foi a confirmação de Áurea Carolina (PSOL) como candidata ao Senado Federal, ao passo que a aliança não indicou, neste momento, nenhum candidato próprio ao Governo do estado.
A vereadora de Belo Horizonte e presidenta do PSOL em Minas Gerais, Iza Lourença, traçou os contornos do momento político após a convenção. Ela informou que a discussão sobre o apoio ao governo de Minas permanece em aberto, com possibilidade de negociações com outras siglas, em especial o PT. Segundo Lourença, a ata da federação reafirmou a indicação de Áurea Carolina ao Senado e abriu espaço para tratativas de coligação com vistas ao governo estadual. “Reiteramos o compromisso com a reeleição de Lula (PT) e com a derrota da extrema direita em Minas. Já manifestamos ao PT a nossa vontade de somar na candidatura de Patrus para governar o estado”, comentou a parlamentar, que também é pré-candidata a deputada estadual.
A federação Rede-PSOL divulgou que apresentou 24 nomes para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e 20 candidatos à Câmara dos Deputados. Essa composição reflete o movimento de aproximação entre as duas siglas, sinalizando uma estratégia de ampliar a presença progressista no cenário mineiro, sobretudo em um contexto de negociações nacionais que buscam a manutenção da agenda de direitos civis, sociais e democráticos.
A definição de não lançar candidatura própria ao Governo de Minas, anunciada pelo PSOL mineiro ainda em maio, é apresentada pela ala progressista como uma oportunidade de reforçar a aliança com o PT em nível nacional, visando a reeleição de Lula, além de facilitar a costura de alianças também no plano estadual. A ideia é que a dobradinha ao Senado seja formada por Áurea Carolina e pela ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT).
O PT já confirmou Patrus Ananias como candidato ao Governo de Minas. O partido avalia ainda como ficará o restante da chapa, incluindo quem poderá compor a disputa das duas vagas ao Senado ao lado de Marília Campos. No momento, o PSOL de Áurea Carolina figura como principal concorrente ao lado do PSB, que também disputa espaço dentro do arco de forças de esquerda e centro-esquerda envolvidas no processo.
Durante a convenção, Áurea Carolina abordou a possibilidade de integrar a campanha de Patrus como vice, mantendo, no entanto, a âncora de sua candidatura ao Senado. Ela apontou que o PSOL está aberto a outras alianças que fortaleçam o campo progressista, incluindo tratativas com figuras de diferentes legendas, sempre com foco em ampliar a representação de grupos historicamente marginalizados. Em relação ao cenário estadual, a parlamentar ressaltou a urgência de ocupar o Senado com vozes dedicadas às pautas das mulheres, das pessoas negras e do enfrentamento aos grandes interesses econômicos que, segundo ela, ainda causam prejuízos a Minas Gerais.
Ao longo de sua fala, Áurea Carolina mencionou também que manteve contato com o prefeito Alexandre Kalil (PDT), que se apresenta como candidato ao Governo, reconhecendo a boa gestão realizada em Belo Horizonte e apontando a disposição do PSOL em buscar um esforço de confluência máxima para eleger uma bancada progressista tanto no Congresso Nacional quanto na Assembleia de Minas. A executiva mineira da federação pretende, com essas negociações, “corrigir o rumo” do estado, conforme suas palavras, articulando um conjunto de forças capaz de ampliar a presença de propostas populares no parlamento.


