O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, começará a se reunir com lideranças partidárias do Centrão para discutir a composição do novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As conversas devem ter início a partir desta terça-feira (3/11), e a orientação do Palácio do Planalto é ouvir todas as siglas de centro antes da definição da nova equipe de governo.
Escolhido por Lula para atuar como interlocutor nas negociações, Edinho Silva terá a missão de conversar com os partidos sobre a montagem do próximo governo. A articulação pretende identificar as demandas das legendas e avaliar a participação delas na estrutura da nova administração federal.
De acordo com aliados, Lula deverá adotar critérios mais rigorosos para escolher os nomes que ocuparão os ministérios e demais espaços da Esplanada. A definição dos integrantes do governo deve levar em conta não apenas a composição política, mas também o grau de compromisso dos partidos com as pautas do Executivo no Congresso Nacional.
Segundo informações publicadas pelo Metrópoles na coluna do jornalista Igor Gadelha, o presidente deverá exigir das siglas uma estimativa mais precisa sobre a quantidade de votos que cada partido poderá assegurar em projetos de interesse do governo. A cobrança busca estabelecer uma relação mais clara entre a participação das legendas no governo e o apoio que elas estarão dispostas a oferecer nas votações do Legislativo.
Durante o último mandato, Lula enfrentou dificuldades com partidos de centro que, embora fizessem parte da base governista e ocupassem cargos na administração federal, registravam votos contrários às orientações do Executivo em determinadas votações. Esse comportamento gerou descompasso entre a composição política do governo e o apoio efetivamente entregue no Congresso.
O presidente pretende evitar a repetição desse cenário no novo mandato. A preocupação aumenta diante de um Congresso eleito com uma parcela considerável de parlamentares de oposição, especialmente no Senado. Por isso, a expectativa é que a exigência de fidelidade partidária seja maior nas negociações para a formação da equipe ministerial.
Além de Edinho Silva, outros emissários do governo e o próprio presidente Lula poderão participar das conversas com os dirigentes do Centrão. A retomada dos contatos com as lideranças ocorre após o encerramento do pleito e tem como objetivo organizar a base política que dará sustentação ao novo período de governo.
Os principais partidos do Centrão declararam apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Entre essas legendas estão partidos que ocuparam cargos durante o terceiro mandato de Lula, como o Republicanos, o MDB e a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
O PSD, por sua vez, manteve uma posição de neutralidade durante a disputa presidencial. Com o fim das eleições, Lula e seus auxiliares voltaram a procurar representantes do Centrão para discutir a composição do novo mandato e medir o nível de apoio que cada sigla poderá oferecer ao Executivo no Congresso Nacional.


