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Oscilações na pressão arterial estão relacionadas ao aumento do risco de morte e AVC, aponta estudo com mais de 57 mil participantes

Oscilações na pressão arterial estão relacionadas ao aumento do risco de morte e AVC, aponta estudo com mais de 57 mil participantes

Uma nova pesquisa realizada com mais de 57 mil indivíduos do UK Biobank, uma vasta base de dados do Reino Unido, revelou que variações na pressão arterial ao longo do tempo podem estar associadas a um aumento no risco de morte e de acidentes vasculares cerebrais (AVC). O estudo, que acompanhou os participantes por aproximadamente cinco anos, analisou como as oscilações na pressão arterial entre diferentes consultas médicas podem influenciar a saúde cardiovascular e geral.

Os resultados foram apresentados na reunião anual da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes, realizada em Milão entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro. Os pesquisadores observaram que quanto maior a variação na pressão arterial, maior a probabilidade de óbito por qualquer causa, independentemente de fatores como a média da pressão ou os níveis de glicose no sangue. A análise revelou que, para cada aumento na variação da pressão sistólica, o risco de morte cresceu 11%, enquanto a variação na pressão diastólica elevou esse risco em 8%.

Além da relação com mortalidade, as oscilações na pressão arterial também mostraram conexão com o risco de AVC. Indivíduos com maior variação na pressão diastólica e na pressão média ao longo do tempo apresentaram maior probabilidade de sofrerem um derrame cerebral. O AVC, ou derrame cerebral, ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo em alguma região do cérebro, podendo ser causado por diversos fatores, como acúmulo de placas de gordura, formação de coágulos sanguíneos (causando AVC isquêmico), sangramento decorrente de hipertensão ou ruptura de aneurisma (provocando AVC hemorrágico). Os sintomas mais comuns incluem forte dor de cabeça, fraqueza ou dormência em partes do corpo, paralisia e perda súbita da fala.

Embora o AVC não tenha cura definitiva, ele pode ser prevenido na maior parte dos casos. Quando ocorre, há possibilidades de tratamentos que visam melhorar o quadro clínico e reabilitação para reduzir o risco de sequelas. A doença é mais frequente em pessoas acima dos 50 anos, mas também pode afetar jovens, principalmente devido a fatores de risco como tabagismo, má alimentação, hipertensão, colesterol alto, diabetes, defeitos cardíacos ou vasculares, uso de drogas ilícitas, aumento da coagulação sanguínea, além de doenças inflamatórias e espasmos cerebrais.

O estudo reforça a importância de controlar fatores de risco, como hipertensão, colesterol e diabetes, por meio de hábitos de vida saudáveis, incluindo alimentação equilibrada, prática de atividades físicas regulares e abstinência de tabaco. Detectar e monitorar alterações nos vasos sanguíneos e no coração também é fundamental, podendo envolver o uso de medicamentos anticoagulantes em alguns casos. Além disso, a pesquisa destaca a necessidade de atenção a doenças que elevam a coagulação do sangue, como lúpus, anemia falciforme, trombofilias, vasculites e espasmos cerebrais, que podem contribuir para eventos cerebrovasculares.

A análise também abordou a combinação entre variação da pressão arterial e níveis de açúcar no sangue. Pessoas com diabetes tipo 2 e maior oscilação na pressão sistólica apresentaram risco quase três vezes maior de mortalidade em comparação àquelas com glicemia normal e pressão mais estável. Ainda, indivíduos com pré-diabetes que exibiram maior variação na pressão arterial também tiveram aumento no risco de óbito.

O estudo, que contou com a participação de 57.611 pessoas com média de idade de 55 anos, constatou que 571 participantes sofreram AVC e 1.460 morreram durante o acompanhamento. Os pesquisadores também avaliaram a relação entre variação da pressão arterial e casos de demência, mas não encontraram associação consistente.

Os autores ressaltam que a pesquisa demonstra uma associação entre oscilações na pressão arterial, mortalidade e AVC, mas não estabelece uma relação de causa e efeito direta. Ainda assim, os dados sugerem que monitorar não apenas a média da pressão, mas também sua estabilidade ao longo do tempo, pode ser uma estratégia importante para identificar indivíduos com maior risco de problemas cardiovasculares e de mortalidade.

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