Correio Divinopolitano

Moradores de Cacôco de Cima protestam contra infestação de moscas, mau cheiro e urubus ligados à Granja Radil

Moradores de Cacôco de Cima protestam contra infestação de moscas, mau cheiro e urubus ligados à Granja Radil

Moradores da comunidade rural do Cacôco de Cima, em Divinópolis, realizaram, na manhã desta sexta-feira, uma manifestação para cobrar providências diante da infestação de moscas, do forte mau cheiro e do aparecimento de urubus nas proximidades, relatos que apontam a atividade de uma granja instalada junto às residências como causadora dos transtornos. A Polícia Militar de Meio Ambiente compareceu ao local e realizou averiguações durante a mobilização, que ocorreu em uma estrada vicinal que dá acesso ao empreendimento. Os participantes exibiram faixas e cartazes com reivindicações e chegaram a interromper, de forma temporária, o tráfego no trecho durante o protesto.

O movimento ocorreu de maneira pacífica e teve como objetivo chamar a atenção das autoridades e dos responsáveis pela empresa para os problemas relatados pela comunidade. Segundo os moradores, o número de moscas aumentou nos últimos meses e interfere diretamente na rotina das famílias, afetando atividades como o preparo de alimentos, as refeições, a limpeza das casas e o recebimento de visitas. O mau cheiro é descrito como constante, espalhando-se pelas propriedades em diferentes horários do dia.

Alguns proprietários de sítios e chácaras afirmaram ter deixado de frequentar os imóveis aos fins de semana em decorrência da situação. Também há relatos de moradores que cogitam a venda de propriedades por não conseguirem permanecer nos locais com tranquilidade. A comunidade sustenta que a infestação compromete a qualidade de vida e pode representar um problema sanitário.

Além das moscas e do mau cheiro, os manifestantes relataram o aumento da presença de urubus nas proximidades da granja. Eles solicitam que os órgãos competentes investiguem a origem dos transtornos e verifiquem se o empreendimento está em conformidade com as normas ambientais e sanitárias exigidas para a atividade.

O líder comunitário Ivair Faria afirmou que o protesto não tem a finalidade de impedir o funcionamento da empresa nem de prejudicar os trabalhadores. Conforme ele, os moradores desejam que a granja adote medidas para controlar a proliferação de insetos e reduzir o odor que atinge as residências da comunidade. “Nós protestamos para que eles vejam nossa dor. A gente não pode nem convidar uma visita para o final de semana, de vergonha de tantas moscas. Já ficamos mais de dez anos sem moscas e queremos voltar a esse tempo. Não queremos fechar a empresa, apenas que ela cumpra suas obrigações ambientais”, declarou o líder comunitário.

Uma moradora identificada como Fátima, que reside na região há mais de 50 anos, relatou que os problemas relacionados à atividade da granja são antigos. Segundo ela, a situação chegou a permanecer sob controle por aproximadamente dez anos, mas voltou a se agravar depois da retomada das atividades do empreendimento.

Os moradores afirmam que já buscaram respostas junto aos representantes da empresa em ocasiões anteriores. Conforme relato apresentado durante a manifestação, a comunidade teria recebido a informação de que a presença de moscas seria comum em áreas rurais com criação de animais; a empresa, contudo, não havia confirmado oficialmente essa versão até a divulgação do caso.

A granja alvo das reclamações pertence à Radil Alimentos. O empreendimento não havia apresentado posicionamento público sobre as acusações até a última atualização disponível, e o espaço permanece aberto para que a empresa esclareça as medidas adotadas no controle de insetos, no tratamento de resíduos e na redução dos odores apontados pela comunidade.

Durante o protesto, equipes da Polícia Militar de Meio Ambiente estiveram na comunidade e também teriam entrado nas dependências da granja para verificar a situação relatada pelos manifestantes. Até o momento, não houve divulgação oficial sobre autuações, registros de infração ambiental ou aplicação de qualquer medida administrativa contra o empreendimento.

Os moradores solicitaram a participação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, da Vigilância Sanitária e de outros órgãos competentes. A comunidade espera a realização de inspeções técnicas para identificar a origem da infestação e definir as providências que devem ser adotadas para evitar a continuidade dos transtornos.

A principal reivindicação é a implantação de medidas que impeçam a reprodução excessiva de moscas, melhorem o tratamento dos resíduos gerados pela atividade e reduzam o mau cheiro percebido nas propriedades vizinhas. Os manifestantes também pedem o acompanhamento permanente dos órgãos de fiscalização para verificar o cumprimento das normas.

A comunidade reforça que pretende manter a atividade econômica, desde que seja exercida sem comprometer a saúde, o bem-estar e a rotina das famílias que vivem ao redor da granja. Às informações disponíveis, não houve nota oficial da Prefeitura de Divinópolis, da Vigilância Sanitária ou da Secretaria Municipal de Meio Ambiente sobre as reclamações apresentadas no protesto. Também não há agendamento divulgado sobre prazo para conclusão das averiguações realizadas pela Polícia Militar de Meio Ambiente.

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