O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve convidar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Argentina, Javier Milei, para a cerimônia de posse que marcará o início de seu novo mandato, em 5 de janeiro de 2027. A previsão é que o convite seja encaminhado aos chefes de Estado de todos os países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas, incluindo Estados Unidos e Argentina.
De acordo com auxiliares do governo, a estratégia busca manter o protocolo diplomático adotado pelo Brasil, sem estabelecer distinções entre os países convidados. A presença de Trump e Milei, no entanto, ocorre em um cenário de tensão política envolvendo os dois governos e a administração brasileira.
As relações com Argentina e Estados Unidos enfrentam um novo obstáculo depois da fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para Miami. O parlamentar deixou o Brasil após ser derrotado nas eleições presidenciais realizadas no último domingo (25/10). Segundo as informações citadas por auxiliares, ele teria recebido ajuda de colaboradores ligados ao presidente republicano norte-americano para executar o plano de fuga.
Além do episódio envolvendo o senador, os governos dos Estados Unidos e da Argentina ainda não reconheceram oficialmente o resultado da eleição que terminou com a vitória de Lula. Trump já colocou em dúvida, em mais de uma ocasião, a lisura do processo eleitoral brasileiro, embora não tenha apresentado provas para sustentar os questionamentos.
Milei, por sua vez, dirigiu ataques ao presidente brasileiro durante toda a corrida eleitoral. A postura do presidente argentino contribuiu para ampliar o desgaste político entre os dois países, que mantêm relações diplomáticas apesar das divergências entre seus governos.
Governo brasileiro não deve ampliar reação diplomática
O governo brasileiro não pretende reagir diplomaticamente aos questionamentos de Trump e à postura de Milei, segundo auxiliares do Executivo federal. A avaliação no Palácio do Planalto é de que uma resposta mais dura poderia ampliar a crise e elevar ainda mais a tensão com os dois países.
Também existe, dentro do governo, a percepção de que Trump está isolado ao não reconhecer o resultado eleitoral. Essa avaliação se baseia no fato de que a vitória de Lula foi reconhecida por lideranças internacionais, por partidos brasileiros — inclusive o Partido Liberal (PL), legenda do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro — e por representantes dos Poderes Legislativo e Judiciário do país.
Na visão de integrantes do Executivo, portanto, não haveria espaço para questionamentos sobre o pleito. A posição desses auxiliares é que o reconhecimento do resultado por diferentes setores nacionais e internacionais reforça a legitimidade da eleição e reduz o alcance das contestações feitas pelos presidentes norte-americano e argentino.
Posse de 2023 teve 21 chefes de Estado e de governo
A cerimônia de posse de Lula em 2023 contou com a participação de 21 chefes de Estado e de governo, que acompanharam o evento realizado em Brasília, no Distrito Federal. Entre os representantes presentes estavam líderes de países da América do Sul e da Europa.
Na posse anterior, de Jair Bolsonaro (PL), o número foi menor: dez chefes de Estado ou de governo participaram da cerimônia. Entre eles estava o então primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Naquele período, durante seu primeiro mandato, Donald Trump também havia sido convidado, mas não compareceu. Em seu lugar, os Estados Unidos enviaram o então secretário de Estado, Mike Pompeo.
Bolsonaro também provocou controvérsia ao retirar os convites feitos aos líderes Nicolás Maduro, da Venezuela, e Miguel Díaz-Canel, de Cuba. O episódio marcou a preparação da cerimônia e evidenciou as divergências diplomáticas que influenciaram a composição da lista de convidados.


