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Justiça marca julgamento de policiais acusados pela morte do advogado Davi Sebba após 14 anos de tramitação

Justiça marca julgamento de policiais acusados pela morte do advogado Davi Sebba após 14 anos de tramitação

A Justiça de Goiânia agendou para os dias 1º e 2 de outubro o julgamento do Tribunal do Júri dos três policiais acusados pela morte do advogado Davi Sebba, ocorrido há 14 anos. Este é o momento final de uma longa trajetória processual, marcada por anos de recursos e adiamentos, que culmina na esperança de justiça por parte da família da vítima.

Davi Sebba tinha 38 anos quando foi morto, em 5 de julho de 2012, com um tiro no peito no estacionamento de um supermercado na capital goiana. Na ocasião, ele havia saído de casa para comprar fraldas para o seu primeiro filho, Gabriel Davi, que nasceu poucas horas após a morte do pai. Sua esposa estava internada em uma maternidade, e o bebê, que também morreu posteriormente, nasceu sem a presença do pai.

Os réus no processo são Jonathas Atenevir Jordão, ex-policial militar, e os policiais militares Edinailton Pereira de Souza e Luiz Frederico de Oliveira. A decisão de levá-los ao júri popular foi tomada após uma tramitação judicial que se estendeu por anos, incluindo recursos apresentados pelas defesas. Em 2023, a Justiça determinou que os três fossem julgados pelo Tribunal do Júri, consolidando a responsabilização dos envolvidos pelo homicídio.

Desde 2012, a família de Davi acompanha o andamento do processo, que passou por diversas decisões e recursos, adiando várias vezes o julgamento. No aniversário de 13 anos da morte, em 2025, familiares ainda lamentavam a ausência de uma resposta definitiva, tendo sido apresentados mais de 20 recursos ao longo do tempo. Com a proximidade do julgamento, a família intensificou suas ações para manter viva a memória de Davi e cobrar justiça.

Para reforçar sua mobilização, familiares e amigos espalharam 15 outdoors por diferentes pontos de Goiânia, levando a imagem e o nome do advogado às ruas da cidade. Além disso, foi criado o perfil “Davi Sebba Presente” nas redes sociais, com o objetivo de divulgar informações sobre o caso e manter a memória de Davi viva na sociedade.

Segundo Pedro Ivo, irmão da vítima, a expectativa da família é grande diante do julgamento, que representa uma resposta há 14 anos aguardada. Ele afirmou que a família espera a condenação dos policiais envolvidos, ressaltando que Davi foi vítima de violência policial, numa abordagem considerada uma emboscada que resultou na sua morte instantânea. Pedro Ivo reforçou que Davi era um advogado pacífico, sem antecedentes criminais ou processos judiciais anteriores, e que foi morto de forma violenta e injustificada enquanto aguardava o nascimento do seu filho.

Relatos da investigação indicam que Davi foi abordado por policiais militares à paisana, que inicialmente alegaram que ele teria reagido à abordagem, tentando alcançar uma arma. Contudo, perícias contestaram essa versão, revelando que suas mãos estavam no volante no momento do disparo. Questionamentos também foram feitos sobre a arma encontrada no veículo e alterações na cena do crime, o que alimenta a tese de que Davi foi vítima de uma execução e que a cena foi manipulada.

Os acusados respondem por homicídio, porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada, fraude processual e usurpação de função pública. O julgamento, inicialmente marcado para setembro, foi remarcado para os dias 1º e 2 de outubro pelo juiz Antônio Fernandes de Oliveira, devido à necessidade de readequação da pauta de julgamentos. O caso continua sendo uma demanda por justiça que mobiliza familiares, amigos e a sociedade de Goiânia.

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