Uma árvore centenária caiu sobre cinco residências da comunidade Quilombo dos Luízes, no bairro Grajaú, na região Oeste de Belo Horizonte, durante o temporal da noite de segunda-feira (2). A ocorrência foi registrada por volta das 20h, na rua Artur Ferrari. Moradores afirmam que já haviam solicitado à Prefeitura de Belo Horizonte a poda do jatobá, que apresentava queda de galhos.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a árvore atingiu as casas e também a rede de alta tensão. Os militares retiraram moradores da área e acionaram a Cemig para auxiliar no corte do jatobá e na eliminação dos riscos provocados pela estrutura e pelos fios.
Uma idosa de 80 anos estava deitada em uma das residências quando a árvore caiu. Com o impacto, o muro de um imóvel vizinho desabou sobre ela. Inicialmente, a mulher não quis ser levada para uma unidade de saúde. Na terça-feira (3), porém, familiares decidiram encaminhá-la a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), depois que ela passou a sentir dores e apresentou inchaço em uma das pernas.
A presidente da comunidade, Liliana Nunes Guimarães Cunha, afirmou que os moradores já tinham procurado a Prefeitura para alertar sobre a situação do jatobá. De acordo com ela, a árvore vinha perdendo galhos e os pedidos foram encaminhados à Regional Oeste e a outros setores do município, sem que uma solução definitiva fosse apresentada.
“Eu já tinha feito várias solicitações. Ela já vinha apresentando queda de galhos e a Regional Oeste não cuidou. Hoje está aí a destruição, são cinco casas afetadas”, afirmou Liliana.
A estudante Sara Cristina Ferreira Nunes, de 25 anos, moradora da comunidade, relatou que foram registrados dois protocolos na Prefeitura com pedidos de poda da árvore. Segundo ela, em 2024, um galho do jatobá já havia caído sobre o telhado da casa da família.
“Percebíamos que isso poderia acontecer e a resposta da Prefeitura foi de que não tinha risco de queda. Eles podaram alguns galhos estratégicos, pequenos, mas o problema em si não resolveram”, contou.
Sara não estava em casa no momento da queda. O irmão, que permanecia no imóvel, telefonou para avisar sobre o acidente. Além de danificar o telhado, a árvore destruiu a lavanderia e o espaço onde ficavam os cachorros. A família ainda aguarda uma avaliação para verificar se a estrutura da residência foi comprometida.
De acordo com Liliana, outras duas pessoas também precisaram deixar as próprias casas e estão dormindo temporariamente na residência de conhecidos. Os moradores ainda não sabem como será realizada a recuperação dos imóveis atingidos nem quais medidas serão adotadas para reparar os danos.
A presidente do Quilombo dos Luízes também afirmou que a comunidade enfrenta dificuldades para obter atendimento da Prefeitura em demandas relacionadas à manutenção das áreas e das residências. Ela alertou ainda para a existência de dois pés de abacate que, segundo ela, também apresentam risco de queda.
Liliana disse que os moradores não têm condições financeiras de contratar, por conta própria, a retirada de árvores de grande porte. Por isso, cobra uma resposta do município após a queda do jatobá e os prejuízos causados às famílias.
O Quilombo dos Luízes é reconhecido como o primeiro quilombo urbano de Belo Horizonte. A comunidade teve origem em 1895 e é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Em nota, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que não identificou solicitação de poda ou supressão de um jatobá no quilombo. A Prefeitura afirmou que pedidos desse tipo devem ser registrados por meio do BH Digital.
“A Subsecretaria Municipal de Zeladoria Urbana (Suzurb) informa que equipes estão no local fazendo a remoção dos galhos”, informou a administração municipal.
A Defesa Civil disse que, até o momento, não havia sido acionada para atender à ocorrência.
Fotos: Valéria Marques/Hoje em Dia.


