A inadimplência das empresas brasileiras atingiu um novo recorde histórico em julho, conforme levantamento do Indicador de Inadimplência das Empresas divulgado pela Serasa Experian. O estudo aponta que, naquele mês, havia 9,2 milhões de CNPJs com dívidas negativadas, representando um aumento significativo na quantidade de negócios com pendências financeiras no país. O volume total de dívidas dessas empresas alcançou R$ 238,6 bilhões, distribuídos em aproximadamente 67,2 milhões de dívidas distintas, com uma média de 7,3 contas negativadas por negócio inadimplente. Cada CNPJ inadimplente, por sua vez, acumulou uma dívida média de R$ 25.983,88, enquanto o ticket médio das dívidas ficou em R$ 3.551,59.
A análise detalhada dos setores revela que o segmento de Serviços lidera a inadimplência, com 55,8% das empresas negativadas, seguido pelo Comércio, com 32,1%. A indústria responde por 8%, enquanto o setor primário representa 1% do total. Esses dados indicam uma concentração significativa de inadimplentes na área de serviços, que também concentra a maior parcela das dívidas, com 31,7% do total, seguida por bancos e cartões de crédito, que representam 19,7%. Outros segmentos relevantes incluem cooperativas (8,5%), utilities (6,9%) e telefonia (6,2%). Ainda de acordo com o levantamento, as instituições financeiras, considerando bancos, cartões e financeiras, concentram 24,3% das pendências, enquanto a maior parte, 75,7%, está relacionada a empresas fora desse grupo.
Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, destacou que, apesar das recentes reduções na taxa básica de juros, a Selic, ainda não há sinais de mudança estrutural na condição financeira das empresas. Segundo ela, o mercado continua precificando juros elevados por um período prolongado, o que impacta diretamente o custo de financiamento e a capacidade das empresas de renegociar ou quitar suas dívidas. Essa expectativa mantém o cenário de inadimplência elevado, mesmo com os cortes na taxa de juros.
A análise também evidencia que micro e pequenas empresas continuam sendo o principal grupo inadimplente do país. Em julho, 8,7 milhões de CNPJs de micro e pequeno porte apresentaram dívidas negativadas, acumulando um total de 60,5 milhões de pendências, que somaram R$ 206 bilhões. Essas empresas, em média, possuem 6,9 contas negativadas, com dívida média de R$ 23.574,33 e ticket médio de R$ 3.403,77.
No recorte regional, o Sudeste mantém sua posição como a região com maior número de empresas inadimplentes, concentrando a maior parte dessas em São Paulo, com 3.1 milhões de CNPJs negativados. Minas Gerais vem em segundo lugar, com aproximadamente 915 mil empresas, seguido pelo Rio de Janeiro, com cerca de 870 mil. Paraná e Rio Grande do Sul também apresentam números expressivos, com 607,5 mil e 533 mil empresas negativadas, respectivamente.
Este cenário reforça a persistência de dificuldades financeiras no ambiente empresarial brasileiro, especialmente entre micro e pequenas empresas, que representam uma parcela significativa do tecido produtivo do país. A contínua inadimplência evidencia a necessidade de estratégias de recuperação e de políticas econômicas que possam contribuir para a redução do endividamento empresarial e a retomada do crescimento econômico sustentável.


