O presidente estadual do Democracia Cristã (DC), Francisco Jurity, formaliza sua pré-candidatura ao Governo do Piauí para as eleições de 2026, integrando o processo de reorganização da legenda no estado, sob sua liderança. Ao longo de sua trajetória, Jurity atuou como educador, gestor de instituições de ensino e figura próxima de governos estaduais, com atuação ligada à educação pública, à promoção de projetos culturais e esportivos e a iniciativas voltadas ao desenvolvimento municipal. Em meio a disputas internas e críticas políticas, ele reafirma a intenção de construir um espaço de candidatura independente dos grandes blocos políticos piauienses, apresentando a educação como eixo central de sua proposta de governo. A seguir, os principais aspectos de sua trajetória, as referências políticas que o acompanham e as linhas gerais de seu programa para 2026.
O anúncio da pré-candidatura foi apresentado pelo presidente estadual do Democracia Cristã (DC), Francisco Jurity, que destacou a iniciativa como parte da reorganização da legenda no Piauí. A atuação de Jurity ao longo dos anos reflete uma conjugação entre atuação educativa e participação na gestão pública, com ênfase na formação de estruturas dedicadas ao ensino e ao bem-estar estudantil. Segundo ele, sua participação na juventude incluiu mobilizações em defesa dos estudantes durante o regime militar, com relatos de envolvimento na obtenção de recursos para obras educacionais e esportivas no estado. Entre as iniciativas citadas, está a articulação para a construção da Casa do Estudante de Parnaíba e a busca, em Brasília, de recursos originalmente destinados a um ginásio coberto na cidade.
Na esfera profissional, Jurity atuou como professor e desenvolveu atuação no setor educacional privado. Conforme suas próprias palavras, esteve à frente de instituições de ensino presenciais e de educação a distância no Piauí, Maranhão e Ceará. A educação é, inclusive, um fio condutor de sua trajetória, já que ele se apresenta como um dos primeiros associados da antiga Associação dos Professores do Estado do Piauí e como docente de História e de outras disciplinas no ensino médio e em cursos preparatórios. Em 2010, ao lançar um livro autobiográfico, foi apresentado como liderança estudantil de outrora e participante de movimentos de professores durante a ditadura, com a obra atribuindo a ele a organização de eventos culturais e esportivos em Parnaíba.
Trajetória política e vínculos com governos estaduais
No meio político do Piauí, Jurity manteve proximidade com ex-governadores que marcaram sua formação administrativa: Alberto Silva e Francisco de Assis Moraes Souza, o Mão Santa. Essa relação é apresentada pelo pré-candidato como um referencial para a condução de políticas públicas. Ele mencionou ter participado de administrações sob ambos os governantes, iniciando com uma função de atendimento e articulação com os municípios durante o governo de Alberto Silva. Segundo Jurity, esse trabalho evoluiu para a criação de uma secretaria voltada aos assuntos municipais, além de um curto período na função de secretário de Governo.
Posteriormente, integrou o governo de Mão Santa, com passagem pela Agespisa, a empresa estadual responsável pelos serviços de água e saneamento. Jurity afirma ter ocupado cargos de diretor e de presidente da Agespisa, destacando que a gestão desenvolveu projetos de alfabetização entre os funcionários da empresa e conseguiu eliminar o analfabetismo dentro do quadro funcional alcançado pelo programa.
Posicionamento sobre acusações passadas
O pré-candidato também aborda controvérsias do passado, negando as acusações vinculadas à cassação do mandato de Mão Santa, em 2001, conforme relatos da época de uso de recursos da empresa em atividades eleitorais. Jurity sustenta que não era o ordenador de despesas e que as contratações citadas referiam-se a inaugurações realizadas antes do período eleitoral, defendendo a leitura de que não houve influência de recursos em campanhas.
Plataforma para 2026 e propostas centrais
A partir do anúncio da pré-candidatura, Jurity passou a criticar tanto o governo do PT, liderado por Rafael Fonteles, quanto outros nomes da oposição, sinalizando a intenção de ocupar espaço de candidatura independente dos grandes agrupamentos políticos presentes no Piauí. Em termos de prioridades, ele coloca a educação como carro-chefe de um eventual mandato, com promessas como a valorização salarial dos professores, condições para que profissionais da rede pública possam cursar mestrado e doutorado, e a implementação de um programa para reduzir o analfabetismo no estado. Ele também ressalta que melhorias físicas nas escolas não devem ocorrer sem a devida valorização do magistério, alimentação adequada, manutenção permanente das unidades e formação continuada para os trabalhadores da educação.
Entre as referências de gestão educacional, Jurity cita Sobral, no Ceará, como modelo a ser adaptado à realidade piauiense. Além da educação, o pré-candidato defende a expansão da energia solar, criticando tributos sobre a geração distribuída e defendendo subsídios e linhas de financiamento para famílias e empresas instalarem painéis solares. A ampliação da oferta de energia é apresentada como estratégica para atrair indústrias e gerar empregos, aliada à redução de carga tributária para empreendedores e a uma política estadual de incentivo à criação de vagas de trabalho.
Outras frentes incluem a melhoria da malha rodoviária estadual, com a promessa de ampliar a fiscalização de contratos de pavimentação e recuperação de estradas, buscando obras mais duráveis e um maior acompanhamento por parte de órgãos de controle e da população. Jurity também defende ampliar a participação popular na definição do orçamento estadual, embora não haja detalhes sobre o formato do mecanismo de indicação de prioridades pelos moradores dos municípios.


