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Estudo indica que microdoses de LSD podem melhorar a atenção em mulheres, mas não em homens

Estudo indica que microdoses de LSD podem melhorar a atenção em mulheres, mas não em homens

Pesquisadores da Universidade de Maastricht, na Holanda, apresentaram resultados preliminares de um estudo que sugere que doses extremamente baixas de LSD (dietilamida do ácido lisérgico) podem promover melhorias na atenção sustentada em mulheres. Os achados foram divulgados durante o congresso anual da Sociedade Europeia de Neuropsicofarmacologia (ECNP), realizado em Munique, na Alemanha, e representam um avanço inicial na investigação sobre os efeitos da microdosagem de substâncias psicodélicas no funcionamento cognitivo.

A pesquisa envolveu um grupo de 48 adultos saudáveis, com idade média de 36,9 anos, sendo 24 mulheres e 24 homens. Durante um período de duas semanas, os participantes receberam, de forma aleatória e duplo-cega (nem os voluntários nem os pesquisadores sabiam quem recebia LSD ou placebo), quatro doses de 15 microgramas de LSD ou uma substância inativa, o placebo. Essa estratégia visou garantir a imparcialidade dos resultados e minimizar possíveis vieses na avaliação dos efeitos.

O foco do estudo foi avaliar diferentes aspectos cognitivos, incluindo atenção sustentada, processamento de informações e memória de trabalho. Para isso, os pesquisadores aplicaram tarefas específicas, entre elas uma que exigia que os participantes observassem uma tela e respondessem rapidamente ao surgimento de um determinado sinal. Os principais resultados indicaram que, entre as mulheres que receberam LSD, o tempo médio de reação foi de 308 milissegundos, enquanto no grupo que recebeu o placebo esse tempo foi de 335 milissegundos. Além disso, as mulheres que tomaram microdoses de LSD apresentaram uma redução nas lapsos de atenção, com uma média de 2,3 ocorrências, contra 4,7 entre aquelas que receberam o placebo.

Entretanto, os efeitos observados não se repetiram entre os homens, e os pesquisadores não encontraram evidências conclusivas de que a microdosagem de LSD traga benefícios claros para o processamento de informações ou para a memória de trabalho. A pesquisadora Iva Totomanova, da Universidade de Maastricht, destacou que os resultados sugerem uma possível resposta diferenciada entre mulheres e homens, mas reforçou que o estudo é de caráter piloto, ou seja, uma pesquisa inicial com número limitado de participantes.

Ela também ressaltou que a investigação não demonstra que a microdosagem de LSD possa melhorar a cognição de forma geral ou que as mulheres sejam mais responsivas à substância. “Embora nossos dados indiquem uma melhora na atenção sustentada em mulheres, eles não indicam que baixas doses de LSD tenham efeito cognitivo amplo ou que as mulheres sejam, de modo geral, mais sensíveis ao composto”, afirmou Totomanova.

A prática de microdosagem consiste na ingestão de quantidades muito pequenas de substâncias psicodélicas, abaixo do limiar que provoca alterações perceptivas intensas. Muitas pessoas recorrem a essa estratégia na expectativa de melhorar a concentração, o humor ou o bem-estar, embora as evidências científicas ainda sejam escassas e apresentem resultados diversos. Os autores do estudo destacam que os resultados atuais são preliminares e que é necessário realizar pesquisas com maior número de participantes para confirmar os efeitos observados.

Além disso, futuras investigações deverão explorar fatores hormonais, como a fase do ciclo menstrual e o uso de contraceptivos, que podem influenciar as respostas ao LSD. É importante esclarecer que o estudo não fornece evidências para o uso clínico da microdosagem no tratamento de problemas de atenção ou na melhora cognitiva geral, limitando-se a apontar uma possível diferença de efeito entre mulheres e homens em uma tarefa específica. Essas diferenças ainda precisam ser aprofundadas por meio de novas pesquisas.

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