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Escovar os dentes com força pode causar danos à gengiva e ao esmalte dental

Escovar os dentes com força pode causar danos à gengiva e ao esmalte dental

A crença de que escovar os dentes com força garante uma limpeza mais eficaz é um equívoco comum, mas que pode resultar em prejuízos à saúde bucal. Estudos e profissionais da área odontológica reforçam que a técnica adequada de higiene deve envolver movimentos suaves e controlados, independentemente da força aplicada. O uso excessivo de força durante a escovação não só não melhora a remoção da placa bacteriana, como também pode causar danos à gengiva, ao esmalte dos dentes e aos tecidos moles da boca.

Segundo o cirurgião-dentista Flávio Pinheiro, especialista em implantodontia, a aplicação de pressão excessiva, especialmente quando combinada com movimentos horizontais repetitivos e o uso de escovas com cerdas duras, pode traumatizar a gengiva e acelerar o desgaste da superfície dentária. Essa ação contribui para o desgaste do esmalte, camada externa que protege o dente, expondo a dentina, que fica localizada abaixo do esmalte. A dentina contém túbulos microscópicos conectados às terminações nervosas do dente, tornando-o mais sensível. Assim, a exposição dessa camada interna pode gerar desconforto ao consumir alimentos ou bebidas quentes, frias, doces ou ácidos, aumentando a sensibilidade dentária.

Além do desgaste do esmalte e da sensibilidade, a força excessiva na escovação pode afetar os tecidos moles da boca, levando à retração gengival. Essa retração ocorre quando a margem da gengiva se desloca em direção à raiz do dente, deixando áreas desprotegidas e mais suscetíveis a infecções e cáries. O dano é progressivo e, se não tratado, pode comprometer a estética do sorriso e aumentar o risco de problemas mais graves, como a perda óssea ao redor dos dentes. A cirurgiã-dentista Juliana Búrigo, especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, destaca que a utilização de escovas com cerdas médias ou duras pode causar dor na região de transição entre dentes e gengiva, especialmente em indivíduos com biotipo gengival fino, mais delicado.

A identificação do uso de força excessiva na rotina de higiene bucal é relativamente simples. Um indicador claro é a durabilidade da escova de dentes: cerdas que se deformam ou perdem a forma em um curto período de uso indicam que a força aplicada na escovação é superior ao recomendado. Cerdas abertas ou entrelaçadas reduzem a eficácia da limpeza e precisam ser substituídas imediatamente. Para quem tem dificuldades em controlar a força manual, as escovas elétricas representam uma alternativa eficiente, pois possuem sensores que ajustam o movimento, emitindo luzes, diminuindo a rotação ou até parando o aparelho ao detectar pressão excessiva.

Profissionais recomendam o uso de escovas com cerdas macias ou ultramacias, que realizam a higienização sem causar traumatismos na gengiva ou desgaste do esmalte. Essas escovas proporcionam uma limpeza eficiente na região de transição entre dentes e gengiva, sem provocar dor ou desconforto. Além disso, o uso de cremes dentais abrasivos ou de alta abrasividade, especialmente em combinação com escovação forte, pode acelerar o desgaste dentário, afetando tanto a coroa quanto a raiz do dente. Nesse contexto, a orientação mais segura é adotar uma rotina de higiene delicada, com escovação em ângulo de 45 graus, movimentos circulares e suaves por cerca de dois minutos. Complementar a escovação com o uso do fio dental é fundamental para alcançar áreas de difícil acesso, como os sulcos gengivais e pontos de contato entre os dentes, promovendo uma saúde bucal mais completa e evitando ferimentos nos tecidos moles.

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