Correio Divinopolitano

Deputado reeleito aposta em avanço de projeto que pode restringir práticas religiosas muçulmanas no Brasil

Deputado reeleito aposta em avanço de projeto que pode restringir práticas religiosas muçulmanas no Brasil

O deputado federal reeleito por São Paulo, Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL), manifesta otimismo quanto à possibilidade de tramitação favorável de seu projeto de lei, conhecido como PL 824/2026, na Câmara dos Deputados. A expectativa do parlamentar surge após o Partido Liberal (PL), partido ao qual pertence, consolidar-se como a maior bancada na Casa, com 121 deputados eleitos no último pleito. Segundo Orléans e Bragança, a maior força do partido e a provável eleição de um aliado para a presidência da Câmara podem facilitar a votação do projeto, que tem como objetivo restringir a aplicação do sistema de leis islâmicas, a sharia, no Brasil.

Apresentado em março de 2023, o PL 824/2026 é de autoria do herdeiro da Família Imperial Brasileira e propõe a proibição da promoção e implementação de práticas e leis relacionadas à sharia, sistema jurídico seguido por algumas comunidades muçulmanas. Na justificativa do projeto, o parlamentar afirma que a iniciativa visa proteger os direitos fundamentais de mulheres, crianças e minorias, embora não haja atualmente movimentos sociais ou políticos no Brasil que busquem substituir a Constituição Federal pelo sistema de leis islâmicas.

O projeto inclui medidas que preveem políticas migratórias mais rigorosas contra estrangeiros que defendam ou promovam a imposição da sharia, além de possibilidades de expulsão de estrangeiros considerados incompatíveis com as normas brasileiras. Ainda, há propostas de uso de forças de segurança para prevenir e reprimir condutas relacionadas à implementação do sistema islâmico, o que demonstra a intenção de endurecer o controle sobre comunidades muçulmanas no país.

Luiz Philippe de Orléans e Bragança reforçou, em maio de 2023, que sua família possui uma “missão religiosa” de combate ao islamismo, embora tenha negado que o projeto seja uma questão de religião. Ele também revelou ter contado com a ajuda de cidadãos de Israel, que, segundo afirmou, monitoram o que ocorre no Brasil, alegando uma suposta infiltração de radicais islâmicos na política nacional.

A proposta do parlamentar tem gerado repercussões e foi alvo de uma denúncia na Procuradoria-Geral da República (PGR), protocolada em junho pelo deputado estadual pelo PT de São Paulo, Maurici. Na denúncia, Maurici solicita a investigação de Orléans e Bragança por racismo religioso e intolerância contra a comunidade islâmica no Brasil. Segundo o petista, o deputado federal estaria construindo uma narrativa que retrata a religião muçulmana como uma “ameaça existencial” ao país, o que pode configurar discurso de ódio e intolerância religiosa.

O cenário político, com maior representatividade da direita na Câmara e declarações controversas do parlamentar, indica um ambiente de potencial avanço de propostas que visam restringir práticas religiosas muçulmanas no Brasil, levantando debates sobre liberdade religiosa, direitos humanos e intolerância no contexto nacional.

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