Correio Divinopolitano

Empresários investigados na “Farra do INSS” continuam a ocultar patrimônio após operação da Polícia Federal

Empresários investigados na “Farra do INSS” continuam a ocultar patrimônio após operação da Polícia Federal

Empresários envolvidos na investigação da chamada “Farra do INSS”, revelada pelo portal Metrópoles em 2024, continuam a adotar estratégias para esconder bens e manter atividades ilícitas mesmo após se tornarem alvos de ações da Polícia Federal (PF). Vídeos de câmeras de segurança, divulgados nesta segunda-feira (21/9) pelo jornal Estadão, mostram membros do grupo conhecido como Golden Boys planejando ações financeiras aproximadamente 30 dias após a realização da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF em 27 de maio de 2025.

As imagens, captadas por câmeras instaladas em uma mansão localizada em Alphaville, bairro de alto padrão na cidade de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, revelam conversas entre os empresários na cozinha e na sala de estar do imóvel. Os registros, com duração de cerca de 30 minutos, mostram discussões detalhadas sobre as entidades controladas pelo grupo e estratégias de ocultação de patrimônio, além de abordarem os esquemas bilionários que os colocaram na mira das autoridades.

A residência pertence a Anderson Cordeiro Vasconcelos, de 38 anos, apontado como um dos operadores principais do esquema pela investigação. Segundo as apurações, a operação investiga a atuação de associações de fachada que desviaram aproximadamente R$ 6,2 bilhões, recursos retirados da folha de pagamento de milhões de aposentados e pensionistas em todo o Brasil. Anderson integra um grupo denominado pelos investigadores como Golden Boys, formado por empresários entre 30 e 40 anos que, mesmo longe da aposentadoria, assumiram o controle de quatro entidades envolvidas em descontos indevidos do INSS.

Essas associações, identificadas como Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, ANDAPP e AASAP, tiveram um faturamento conjunto superior a R$ 700 milhões, obtidos por meio de mensalidades e descontos ilegais sobre benefícios previdenciários. A ostentação do grupo chamou atenção da Polícia Federal, que apreendeu 29 veículos de luxo avaliados em aproximadamente R$ 28 milhões, pertencentes aos quatro principais empresários envolvidos.

Além do desvio de recursos, as investigações apontam que o quarteto também estaria pagando propinas a dirigentes e servidores do INSS para manter as operações ilegais em funcionamento. As gravações revelam Anderson e seu parceiro recebendo a visita de Igor Dias Delecrode, de 28 anos, outro integrante do grupo, acompanhado de sua namorada. Durante as conversas, eles discutem as entidades como empresas privadas altamente lucrativas e planejam os rumos de suas participações na rede fraudulenta.

Os Golden Boys, alvo da operação de maio, comandavam as entidades que, juntas, faturaram cerca de R$ 700 milhões com descontos indevidos em benefícios previdenciários. Além de Anderson Cordeiro, fazem parte do núcleo principal Igor Dias Delecrode, Felipe Macedo Gomes, de 35 anos, e Américo Monte, de 45 anos. Documentos internos dessas entidades e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que o grupo desviava o dinheiro arrecadado para suas próprias empresas, incluindo uma fintech, uma construtora e uma companhia de crédito consignado, além de criarem sistemas próprios de biometria para fraudar assinaturas de aposentados.

A operação da PF também apreendeu bens de luxo, cofres, armas, munições e quantias em dinheiro vivo na ação de outubro do ano passado, que já havia indicado a presença de um esquema sofisticado de desvio de recursos previdenciários. As investigações continuam em andamento, buscando desmantelar completamente a rede de fraudes e responsabilizar os envolvidos pelos crimes de desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro.

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