O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (5/11) que o governo federal precisa implementar medidas capazes de criar condições para uma redução sustentável e estrutural da taxa de juros no Brasil. A declaração foi dada depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) interromper a sequência de cinco cortes consecutivos da Selic e manter a taxa em 13,75%.
Durigan reconheceu que o governo deverá apresentar novas sinalizações na área econômica, mas não criticou diretamente a decisão do Copom. Para o ministro, entretanto, o atual nível dos juros é elevado e produz efeitos negativos sobre diferentes segmentos da economia brasileira.
“Nós precisamos adotar as medidas necessárias, as condições para que, de maneira sustentável e estrutural, a taxa de juros diminua no Brasil”, declarou.
Em outra manifestação, o ministro classificou a taxa vigente como “bastante alta”. Segundo ele, os impactos desse patamar atingem a atividade econômica de forma ampla e também alcançam os setores financeiro e produtivo.
“O Brasil com a taxa de juros neste patamar é uma taxa de juros bastante alta e muito ruim para a economia e para todos os setores, mesmo setor financeiro, o setor produtivo”, afirmou Durigan.
Equipe econômica relaciona queda dos juros ao equilíbrio fiscal
Na avaliação apresentada pelo governo, o controle das despesas públicas e o avanço do ajuste fiscal estão entre os principais fatores necessários para permitir uma futura redução dos juros. O comunicado divulgado pelo Copom após a reunião também citou o acompanhamento da política fiscal doméstica, em uma indicação de cautela diante de um cenário considerado mais incerto.
A política fiscal envolve a relação entre as receitas e as despesas do governo. Por isso, a equipe econômica avalia que medidas voltadas à melhoria das contas públicas podem contribuir para fortalecer as condições necessárias à queda da taxa de juros ao longo do tempo.
O governo vem sendo pressionado pelo mercado financeiro a apresentar ações concretas para conter os gastos. Conforme as informações da matéria, esse ambiente é acompanhado por uma sequência de quedas da bolsa e por uma trajetória de alta do dólar.
Durigan afirmou que a estratégia em discussão deve incluir o corte de privilégios, a revisão de benefícios fiscais e uma análise dos gastos primários. Para o ministro, a adoção gradual dessas iniciativas pode melhorar o resultado das contas públicas e ajudar o governo a alcançar um orçamento superavitário.
“Quando a gente vai fazendo ajustes graduais, vai implementando medidas, olhando para corte de privilégios, retomada de uma série de revisões de benefícios, revisões de gasto primário, a gente dá as condições para que o orçamento seja superavitário”, disse.
Propostas ainda não têm data para ser anunciadas
As medidas citadas por Durigan continuam em discussão dentro da equipe econômica. O ministro afirmou que conversa diariamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas deixou claro que não está previsto um anúncio imediato das propostas de ajuste fiscal.
De acordo com Durigan, as iniciativas deverão ser apresentadas depois que Lula retornar da Conferência das Partes, a COP31. O evento, dedicado aos debates sobre a emergência climática, ocorrerá entre 9 e 20 de novembro de 2026, em Antália, na Turquia.
Antes da viagem presidencial, a equipe econômica pretende continuar avaliando as alternativas e levando propostas ao presidente. No entanto, Durigan ressaltou que o governo não divulgará medidas nos próximos dias.
“O presidente tem viagem para a COP, preparação do presidente para isso. A gente vai seguir debatendo, seguindo a levar propostas (de ajustes). Tenho falado com o presidente diariamente, mas para os próximos dias não (haverá anúncio). Acho que quando o presidente voltar da viagem dele, a gente deve ter mais informações”, afirmou o ministro.
A decisão do Copom de manter a Selic em 13,75% ocorreu após cinco reduções consecutivas. Nesse contexto, as declarações de Durigan reforçam a avaliação de que a condução das contas públicas será um dos elementos considerados para a criação de um ambiente favorável à redução dos juros de maneira duradoura.


