Nesta segunda-feira, 28 de setembro, o dólar registrou uma valorização expressiva de 0,86% frente ao real, atingindo a cotação de R$ 5,22. O movimento ocorreu em meio a um ambiente de aversão ao risco global, influenciado por fatores externos, como a alta nos preços do petróleo e as perspectivas de aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, além de fatores internos relacionados às eleições brasileiras.
O aumento do dólar foi impulsionado pelo comportamento do mercado de commodities, especialmente do petróleo. Os preços do Brent para novembro, referência internacional, subiram 0,92%, fechando a US$ 105,28 por barril, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inicialmente rejeitar uma proposta do Irã de cessar-fogo por sete dias na guerra envolvendo o país. A oferta iraniana incluía a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o escoamento do petróleo. Trump declarou que os iranianos “querem chegar a um acordo, mas não é o acordo que eu quero fazer”, o que gerou incerteza no mercado de energia.
No entanto, na tarde desta segunda-feira, Trump recuou na sua postura, afirmando que a guerra contra o Irã terminará “muito em breve” com uma vitória americana, e que as negociações com mediadores iranianos estão em andamento. Essa mudança de tom amenizou a alta do petróleo, embora os preços ainda tenham registrado aumento: o tipo West Texas Intermediate (WTI), usado como referência no mercado dos Estados Unidos, avançou 0,21%, fechando a US$ 92,60 por barril.
A elevação nos preços do petróleo reacendeu preocupações sobre a inflação nos Estados Unidos, pois a alta nos custos de energia pode pressionar os índices de preços ao consumidor. Como consequência, os títulos do Tesouro americano, especialmente os de dez anos, tiveram seus rendimentos elevados, ultrapassando 5,2% na semana passada, o nível mais alto desde 2007. Essa tendência indica expectativas de juros mais altos ou de manutenção de juros elevados por mais tempo, para conter pressões inflacionárias.
No cenário internacional, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,24%, chegando a 101,21 pontos às 16h50. No Brasil, o movimento do câmbio seguiu essa tendência global, refletindo as incertezas externas e internas. Pesquisas eleitorais mostraram uma pequena recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), embora o mercado continue a preferir a eleição de Flávio.
No mercado de ações, a alta do petróleo favoreceu as ações da Petrobras e da Vale, que possuem forte peso no Ibovespa, levando o índice a fechar em leve queda de 0,26%, aos 182,9 mil pontos. Analistas destacam que o avanço dos preços do petróleo ajudou a sustentar o desempenho dessas companhias, contribuindo para a estabilidade do índice na sessão.
No segmento de renda fixa, o movimento foi de alta nos juros futuros, especialmente nos vencimentos intermediários e longos. Segundo Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa, as taxas a partir de 2029 aumentaram cerca de 14 pontos-base, refletindo uma combinação de fatores externos, como a pressão inflacionária global, e internos, como as incertezas eleitorais e fiscais. O Boletim Focus também elevou as expectativas de inflação para 2026, contribuindo para o aumento do prêmio de risco e a demanda por taxas mais elevadas no mercado de juros.
Em suma, o dia foi marcado por uma combinação de fatores que elevaram o dólar e os juros nos Estados Unidos, influenciando o mercado brasileiro, que permanece atento às variáveis externas e às incertezas políticas internas que podem afetar o cenário econômico de curto e médio prazo.


