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Convenções em SP marcam lançamentos de Flávio Bolsonaro e Haddad com ataques à segurança pública e críticas a Lula

Convenções em SP marcam lançamentos de Flávio Bolsonaro e Haddad com ataques à segurança pública e críticas a Lula

Em São Paulo, convenções partidárias realizadas no sábado 25/7 oficializaram as candidaturas de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República e de Fernando Haddad (PT) ao governo do estado. Os eventos combinaram acúmulo de apoios nacionais e internacionais, ataques à gestão de segurança pública e críticas à condução do atual governo, além de discussões sobre a relação entre Brasil e aliados externos. Flávio Bolsonaro, em seu primeiro pronunciamento como postulante ao Palácio do Planalto, descreveu a eleição como uma “luta do bem contra o mal” e afirmou que a disputa é entre quem sustenta um projeto de país e quem “defende um projeto de poder”. O candidato do PL também atacou as políticas do governo Lula, dizendo que uma luta envolve “quem paga impostos pesados” em contraste com quem “mete a mão no bolso do trabalhador brasileiro”.

Durante cerca de 18 minutos, Flávio repetiu a leitura de herdeiro político de Jair Bolsonaro, observando que a prisão do ex-presidente é para ele a “maior farsa que o país já presenciou”. Ressalva histórica para o discurso, o militar da reserva ressaltou a promessa de, caso eleito, subir à rampa do Planalto ao lado de seu pai, que governou o Brasil de 2019 a 2022. A presença de apoiadores reforçou a narrativa de continuidade entre as gestões, com menções frequentes à presença de Jair Bolsonaro no cenário político nacional.

Entre os elementos de destaque da convenção de Flávio, estiveram convidados internacionais: o presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, cuja participação se traduziu em mensagens de apoio. Milei discursou, de forma elogiosa, ao classificar Flávio como a única pessoa capaz de frear o atual governo brasileiro. Em vídeo enviado à plateia, Netanyahu elogiou Flávio Bolsonaro e afirmou que ele seria “um grande defensor do Brasil” e de “relações entre os nossos povos”, destacando a expectativa de elevar o Brasil a patamares mais elevados. O apoio acontece em um contexto de distanciamento entre Brasil e Israel, acentuado pelas críticas de Lula às ações israelenses na Faixa de Gaza.

Na mesma cidade, a convenção estadual do PT confirmou Fernando Haddad como pré-candidato ao governo de São Paulo. Haddad abriu discurso criticando a administração de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que participou do evento do PL ao lado de Flávio Bolsonaro. O petista enfatizou questões de segurança pública, acusando o governador de não adotar medidas eficazes para enfrentar o crime e a violência, além de questionar uma suposta ligação entre a Polícia Militar paulista e o crime organizado. “Você lê nos jornais que o comando da Polícia Militar, depois da nomeação do comandante-geral pelo Tarcísio, está contaminado com o crime organizado, está mancomunado com o crime organizado, e vem cobrar providências que ele mesmo não toma sobre o estado de São Paulo”, afirmou Haddad.

Além da segurança, Haddad atacou as privatizações promovidas pelo governador, a situação econômica paulista, o crescimento de casos de feminicídio e o estado da educação. O petista questionou a capacidade de enfrentamento do governo tucano, ironizando: “O que é possível disputar com ele [Tarcísio], se tudo está indo para trás e ele não é cobrado por nenhum resultado?”

O encontro também contou com a presença do presidente Lula, que participou de forma contundente ao alertar contra interferência externa no processo eleitoral brasileiro. Em discurso, Lula ressaltou que “ninguém de fora” deve se meter na eleição e avisou que quem tentar intervir “vai apanhar muito” no pleito. O tom foi acompanhado por decisões do Ministério das Relações Exteriores, que, horas antes, negou vistos a dois funcionários do governo dos EUA ligados ao Departamento de Estado de Donald Trump — Riley M. Barnes e Samuel Samson — cuja vinda ao Brasil era associada à avaliação de urnas eletrônicas e ao questionamento sobre a lisura do processo eleitoral, conforme apontado por reportagens do The Washington Post. A decisão de barrar a entrada dos diplomatas americanos ocorreu após tais informações terem ganhado repercussão pública.

A estrutura de liderança também contou com a participação de Simone Tebet (PSB), pré-candidata ao Senado, que criticou Flávio Bolsonaro de forma indireta na convenção do PT, usando a expressão “tal pai, tal filho” para descrever o posicionamento de ambos quanto à defesa de urnas e à estabilidade institucional. Tebet afirmou que 2022 não passou e que, em 2026, o Brasil encara os mesmos desafios, destacando a percepção de que há um golpista de plantão do outro lado do espectro político, segundo seus dizeres. Na ocasião, Tebet reforçou a avaliação de que o processo eleitoral requer cuidado com quem questiona os mecanismos de votação.

O conjunto de manifestações, somado às críticas mútuas entre as candidaturas, evidencia um momento de acirramento político em São Paulo e no país, com reflexos sobre a relação entre o discurso de defesa da segurança pública, a defesa de privatizações e o tom de desconfiança sobre urnas eletrônicas. Os eventos deixaram claro que o pleito de outubro será marcado por uma tensão entre projetos de governo e por contestação explícita de modelos políticos e de alianças regionais e internacionais.

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