O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (CIMEB), uma entidade que congrega mais de 10 mil pastores de diversas denominações religiosas, divulgou nesta segunda-feira (28 de setembro) uma nota oficial nas redes sociais condenando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus apoiadores por supostamente disseminarem informações falsas com o objetivo de promover uma “guerra religiosa” no país. A declaração, assinada pelo pastor Silas Mafaia, tem como foco principal a acusação de que Lula e seus aliados estariam envolvidos na propagação de notícias falsas relacionadas à retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
O documento do CIMEB expressa veemente repúdio à utilização de fake news por parte do governo federal para atingir adversários políticos e, mais gravemente, para fomentar tensões entre católicos e evangélicos. Segundo a entidade, não há qualquer iniciativa por parte de líderes evangélicos ou de suas organizações para promover o cancelamento de feriados religiosos ou de cultos de qualquer religião, reforçando que a convivência entre católicos e evangélicos no Brasil é pacífica e baseada no respeito mútuo.
A controvérsia envolvendo a questão do título de Nossa Senhora Aparecida ganhou destaque nas redes sociais, onde circulam boatos de que o governo estaria planejando retirar oficialmente a denominação de Padroeira do Brasil da imagem da santa. Tais alegações foram atribuídas ao candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, o senador negou qualquer intenção de alterar o status de Nossa Senhora Aparecida, esclarecendo que não há projetos ou propostas em tramitação que envolvam essa mudança.
Na verdade, as publicações que relacionam Flávio Bolsonaro à suposta alteração do título referem-se ao Projeto de Lei nº 2.623/2007, que foi arquivado pela Câmara dos Deputados em 22 de agosto de 2008. O projeto, que buscava uma alteração na legislação referente à celebração e ao reconhecimento do título de Padroeira do Brasil, não avançou na tramitação e, portanto, não possui qualquer efeito atual ou intenção de mudança oficial. O boato de que o título de Nossa Senhora Aparecida estaria sendo retirado ou alterado não possui respaldo em documentos oficiais ou em qualquer iniciativa legislativa em andamento.
A polêmica reflete o clima de tensões político-religiosas que tem marcado o cenário nacional nos últimos anos, especialmente em períodos de disputa eleitoral e de debates sobre a laicidade do Estado e a liberdade religiosa. A posição do CIMEB reforça a importância de combater a disseminação de informações falsas e de preservar a harmonia entre diferentes tradições religiosas no Brasil, enfatizando que, até o momento, não há qualquer movimento oficial ou iniciativa legislativa que ameace o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do país.


