O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), órgão responsável pela definição da política monetária do Federal Reserve (Fed), elevou nesta quarta-feira, 16 de setembro, a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, estabelecendo o intervalo entre 3,75% e 4,00%. A decisão, adotada de forma unânime, era amplamente antecipada pelo mercado financeiro e reflete a continuidade do ciclo de aperto monetário iniciado pelo banco central americano nos últimos meses.
Apesar de a medida ter sido prevista, analistas avaliam que o comunicado divulgado pelo Fomc sugere, de maneira indireta, que há uma possibilidade de mais uma alta na taxa de juros ainda em 2026. O documento destaca que, embora os riscos geopolíticos ainda contribuam para a incerteza econômica global, a resiliência dos gastos internos nos Estados Unidos tem sustentado a atividade econômica do país.
No texto, o Fed ressalta que o mercado de trabalho americano mantém sua robustez, com a geração de empregos acompanhando o crescimento da força de trabalho e uma taxa de desemprego que apresentou pouca variação nos últimos meses. Entretanto, a inflação permanece elevada, o que motiva a continuidade do aperto na política monetária. Para o banco central, a elevação da taxa de juros nesta quarta-feira é uma medida que visa acelerar o retorno dos preços à meta de 2% ao ano, estabelecida pelo Fomc.
Segundo André Valério, economista do banco Inter, as projeções dos integrantes do Fomc indicam uma visão de economia americana aquecida, com revisões para cima nas expectativas de crescimento do PIB e inflação, enquanto as projeções de desemprego foram reduzidas. “O comitê também revisou levemente para cima a expectativa de núcleo da inflação para 2026, embora tenha reduzido a projeção para 2027”, explica. Ele acrescenta que, mesmo com essas revisões, a maioria dos membros do Fed prevê mais uma alta de 0,25 p.p. na taxa de juros ainda neste ano, possivelmente em dezembro, mantendo os juros nesse patamar ao longo de 2027.
Valério destaca, no entanto, que a capacidade do Fed de realizar essa única alta adicional dependerá de fatores externos, especialmente do preço do petróleo. Uma possível resolução mais duradoura para a crise no Estreito de Ormuz, que poderia fazer o barril de petróleo retornar ao patamar de US$ 70, é vista como um fator que favoreceria a manutenção da política de aumento de juros. Caso contrário, o impacto inflacionário do aumento nos preços de energia pode prolongar o ciclo de aperto monetário além do planejado.
Paula Zogbi, da Nomad, também reforça que as projeções do Fed indicam uma nova elevação dos juros ainda neste ano. Ela aponta que, apesar do comunicado indicar que a atividade econômica americana continua expandindo de forma sólida, a incerteza permanece elevada, e as projeções oficiais sugerem uma alta na taxa de juros em 2026.
Diante desse cenário, analistas destacam que o Fed mantém sua postura de monitoramento atento à evolução dos indicadores econômicos, especialmente da inflação e do mercado de trabalho, enquanto sinaliza a possibilidade de ajustes adicionais na política monetária dependendo do desenvolvimento do contexto global e dos preços do petróleo.


