Em um ambiente de intensa tristeza, familiares, amigos e colegas de farda se reuniram nesta quarta-feira (22) para prestar as últimas homenagens à capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Michele Leão Azevedo, de 41 anos. O velório ocorreu em Belo Horizonte e contou com a presença da comandante-geral da corporação, coronel Cleide, que lamentou a perda da oficial e enfatizou a luta da PM contra a violência doméstica, a qual, segundo ela, já levou muitas vidas.
“A morte da capitã Michele e de todas as outras mulheres vítimas da violência doméstica nos toca a alma. Ela nos motiva a intensificar a luta contra esse inimigo, que é visível e muitas vezes invisível, e que aflige nossa sociedade”, declarou a coronel durante a cerimônia.
Compromisso da PM no combate à violência
A coronel Cleide também anunciou que a Polícia Militar está comprometida em ampliar suas ações de proteção às mulheres. “Toda a nossa comunidade pode confiar no firme propósito da nossa instituição de proteger todas as famílias e mulheres de Minas Gerais”, afirmou.
A cerimônia foi marcada por momentos de profunda emoção, especialmente pela mãe da capitã, que, visivelmente abalada, permaneceu sob efeito de medicação durante o velório. Michele ingressou na PM com apenas 18 anos e construiu uma carreira de mais de 20 anos, alcançando o posto de capitã. Na época de sua morte, ela ocupava funções administrativas na sede do Governo de Minas, localizada no bairro Serra Verde, em Belo Horizonte.
Desdobramentos da investigação
Enquanto amigos e familiares prestavam suas homenagens, a Justiça decidiu converter em prisão preventiva o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, marido da capitã e principal suspeito do crime. O juiz responsável pela audiência de custódia considerou a medida necessária para garantir a ordem pública. O processo está sob segredo de Justiça.
As investigações revelaram que Eduardo já havia sido alvo de registros anteriores relacionados à violência doméstica, com três boletins de ocorrência em que ele foi apontado como autor de agressões contra ex-companheiras. A coronel Cleide confirmou essas informações, afirmando que a PM tomou todas as providências cabíveis após os registros.
O caso está sendo tratado pela Polícia Civil como feminicídio. De acordo com as investigações, Michele foi levada ao Hospital Odilon Behrens com múltiplas lesões e já sem sinais vitais, pelo marido, que alegou que ela havia caído de uma escada. No entanto, a versão foi questionada após a equipe médica identificar hematomas e ferimentos que não condizem com uma queda acidental.
Câmeras de segurança do prédio onde o casal residia registraram o momento em que Eduardo deixou o apartamento com Michele antes de levá-la ao hospital. Durante a busca no imóvel, a polícia encontrou vestígios de sangue e um bastão de madeira quebrado, além de roupas que haviam sido lavadas após os acontecimentos.
A Polícia Militar informou que os indícios iniciais sugerem um relacionamento abusivo entre o casal. Eduardo foi preso e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde o caso segue sob investigação. A defesa do sargento nega que Michele tenha sido vítima de agressões, sustentando que os ferimentos foram causados pela queda e por práticas consensuais. A família da capitã, por sua vez, exige uma investigação completa e confia na perícia para esclarecer os fatos ocorridos no apartamento.


