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Campanha de Flávio Bolsonaro orienta oposição a se abster na votação da PEC do fim da escala 6×1 no Senado

Campanha de Flávio Bolsonaro orienta oposição a se abster na votação da PEC do fim da escala 6×1 no Senado

A campanha do candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), tem orientado senadores da oposição a se absterem em uma possível votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1, prevista para ocorrer na próxima semana. A estratégia ocorre em um momento de alta tensão política, com o objetivo de evitar conflitos e desgastes durante o período eleitoral, especialmente diante da decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de manter a pauta da proposta prioritária do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão de Alcolumbre de pautar a PEC foi tomada pouco antes do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 2 de outubro, que resultou na redução da vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula e levou à definição de um segundo turno. O presidente do Senado agendou a discussão da matéria em três das cinco sessões previstas, incluindo a leitura, o que demonstra a prioridade dada ao tema por parte da Casa Legislativa. Além disso, o parlamentar decidiu colocar em plenário três sessões de discussão, sinalizando a intenção de avançar rapidamente na tramitação.

No âmbito da campanha bolsonarista, há orientações para que senadores da oposição não façam pronunciamentos públicos contrários à proposta durante as sessões de discussão. Até o momento, apenas o senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), de perfil considerado independente, manifestou-se contra a tramitação da PEC, embora sem entrar no mérito do conteúdo da proposta. Essa postura busca evitar que o debate se torne mais polarizado ou que influencie o ambiente eleitoral.

Para acelerar o processo, a base do governo deve protocolar um requerimento de calendário especial, com o objetivo de votar a PEC ainda na próxima semana. Davi Alcolumbre deverá pautar as últimas duas sessões de discussão e, posteriormente, colocar o requerimento em votação, o que indica uma tentativa de encerrar a tramitação de forma rápida, independentemente do posicionamento da oposição ou de eventuais manifestações contrárias.

Quanto ao conteúdo da PEC, a senadora e líder do PP, Tereza Cristina (MS), foi encarregada de negociar com Alcolumbre na tentativa de frear o avanço da pauta. A ex-ministra de Jair Bolsonaro (PL) reuniu-se com o presidente do Senado na noite de quarta-feira, mas não conseguiu chegar a um acordo. Alcolumbre tem reiterado que havia se comprometido a não colocar a proposta em votação antes do primeiro turno, atendendo a pedidos de senadores que desejavam evitar que o tema influenciasse o período eleitoral. No entanto, ele já sinalizou que votaria na proposta logo após o pleito.

O momento de avanço da PEC é considerado delicado para Alcolumbre, que enfrenta dificuldades políticas após a derrota de seu grupo no Amapá, com a eleição de Dr. Furlan (PSD) ao governo estadual. Além disso, há uma crescente pressão relacionada à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que também influencia a dinâmica do Senado. Alcolumbre, que buscará reeleição para a presidência da Casa em 2027, enfrenta um cenário de fragilidade na base de apoio, especialmente após a perda de apoio de aliados que não pretendem apoiá-lo na disputa do próximo mandato.

A oposição, por sua vez, mantém postura de resistência ao senador, descartando qualquer apoio na eleição de 2027 e buscando consolidar uma candidatura própria para presidir o Senado, apoiada na eleição de 19 senadores, todos pelo partido PL. Essa estratégia reforça o clima de disputa política e a tentativa de consolidar força no Congresso Nacional, independentemente do andamento da PEC ou do cenário eleitoral.

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