O Brasil investe, em média, US$ 4.999 por aluno por ano na educação básica, valor que corresponde a aproximadamente um terço dos US$ 13.432 gastos, em média, pelos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os dados, referentes ao ano de 2023, fazem parte do relatório “Education at a Glance 2026”, considerado o principal levantamento internacional sobre sistemas educacionais, divulgado nesta terça-feira (29 de setembro). Essa análise evidencia as diferenças no investimento público por estudante entre o Brasil e outros países, além de destacar aspectos relacionados à proporção do gasto em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
Os valores considerados pelo relatório referem-se ao gasto público por estudante em todas as etapas da educação, desde o ensino primário até o ensino secundário e o ensino superior não terciário. Para garantir comparabilidade entre países com moedas e custos de vida distintos, os valores são ajustados em dólares pela paridade do poder de compra (PPC). Nesse contexto, o Brasil apresenta um dos menores investimentos por estudante entre os países da OCDE, ficando atrás de nações latino-americanas como Argentina e Chile, que investem US$ 5.313 e US$ 7.895 por aluno, respectivamente. O México, por sua vez, destina US$ 2.703 por estudante, número bastante inferior ao brasileiro.
A variação no investimento por estudante entre os países da OCDE é significativa. Enquanto alguns países, como Suíça e Noruega, destinam mais de US$ 20 mil por aluno, outros mantêm gastos abaixo de US$ 4 mil. Essa disparidade reflete diferenças na organização dos sistemas educacionais, na estrutura de financiamento e na prioridade dada à área em cada nação. Apesar do menor gasto absoluto, o Brasil apresenta um esforço proporcionalmente maior em relação ao seu PIB. Segundo dados da OCDE, o país destinou aproximadamente 4,3% do Produto Interno Bruto à educação pública, incluindo níveis primário, secundário e superior, acima da média de 3,6% registrada pelos países membros da organização.
Essa relação indica que, considerando o tamanho da economia, o esforço brasileiro na área da educação é relativamente elevado. Contudo, a OCDE ressalta que o percentual do PIB destinado à educação não é o único fator determinante para a qualidade do sistema educacional. Outros elementos, como a organização dos sistemas, condições socioeconômicas, formação dos professores, infraestrutura, tamanho das turmas e políticas públicas, influenciam diretamente os resultados educacionais. Assim, o aumento de recursos por si só não garante melhorias na aprendizagem, embora seja uma condição importante para a manutenção de serviços de qualidade.
No ensino superior, o cenário também revela diferenças expressivas. Em 2022, o gasto público por estudante universitário no Brasil foi de US$ 3.765, enquanto a média da OCDE atingiu US$ 15.102, incluindo investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Essa distinção se explica, em parte, pelo fato de que os gastos no nível superior em diversos países tendem a ser mais elevados devido ao investimento em infraestrutura, pesquisa e profissionais especializados, além de estruturas acadêmicas avançadas.
Os números apresentados reforçam a complexidade do debate sobre o financiamento da educação no Brasil. A discussão não deve se limitar ao percentual do PIB destinado ao setor, mas também deve considerar a quantidade de recursos disponíveis por estudante e a eficiência na aplicação desses recursos. O desafio central é ampliar os recursos destinados a cada aluno e garantir que esses investimentos resultem em melhorias concretas na qualidade do ensino e na aprendizagem, sobretudo em um contexto de desigualdades sociais e econômicas que impactam o sistema educacional brasileiro.


