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Boulos compara ato de Flávio Bolsonaro na Paulista a episódio envolvendo Carla Zambelli e critica manifestação com símbolo de ameaça de bomba

Boulos compara ato de Flávio Bolsonaro na Paulista a episódio envolvendo Carla Zambelli e critica manifestação com símbolo de ameaça de bomba

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), afirmou que o episódio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista, neste domingo (18/10), remete ao que chamou de “caso Zambelli” das eleições de 2022, referindo-se a uma manifestação de caráter extremado ocorrida na campanha presidencial daquele ano. Durante o ato, apoiadores de Bolsonaro exibiram um míssil inflável com a inscrição “Trump, bombardeie o Brasil”, pedindo que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançasse uma bomba nuclear contra o país.

Na sua análise, Boulos destacou a gravidade do episódio, comparando-o a uma situação semelhante envolvendo a ex-deputada federal Carla Zambelli, que, na véspera do segundo turno das eleições de 2022, saiu armada na rua de São Paulo, ameaçando atirar em um jornalista. Na ocasião, aliados de Jair Bolsonaro interpretaram o episódio como um fator que contribuiu para a derrota do então candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva. Zambelli foi posteriormente condenada a cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto, além de multa e perda do mandato político. Atualmente, ela está presa na Itália, onde tramita um processo de extradição para o Brasil. Zambelli também foi condenada em outro processo no Supremo Tribunal Federal (STF), referente à tentativa de invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pelo qual foi sentenciada a oito anos de prisão, com condenação transitada em julgado em junho de 2023.

Boulos criticou a manifestação de Flávio Bolsonaro, que reuniu cerca de 71,9 mil pessoas na região central de São Paulo, no horário de pico. A estimativa foi feita pelo Monitor do Debate Político, um grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e a ONG More in Common. O evento foi organizado em resposta a uma manifestação pró-Lula, realizada na mesma localidade no domingo anterior (11/10), que, segundo a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contou com aproximadamente um milhão de participantes.

Na avaliação de Boulos, o episódio reforça o clima de radicalização e ameaça que permeia o cenário político atual, especialmente em manifestações de apoio ao bolsonarismo. O ministro destacou que, independentemente do posicionamento político, ninguém deseja ver seu país sendo alvo de ameaças de guerra ou de ações extremas, como o uso de armas ou símbolos que remetam à violência.

A manifestação de Flávio Bolsonaro, que contou com a exibição do míssil inflável com a frase de apelo à ação de Trump, foi amplamente divulgada nas redes sociais, incluindo um vídeo compartilhado pelo próprio Boulos, que criticou duramente o episódio. O ato ocorreu em meio a um momento de forte polarização política no país, com manifestações de apoiadores e opositores de Lula e Bolsonaro realizando eventos de grande porte na capital paulista.

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