O ator e diretor Gracindo Jr., filho do renomado ator Paulo Gracindo, faleceu na noite desta terça-feira, aos 83 anos, no Rio de Janeiro. A causa da morte foi confirmada como natural, embora detalhes específicos não tenham sido divulgados pela família. Gracindo Jr. deixa um legado de mais de cinco décadas dedicadas às artes cênicas, incluindo teatro, televisão, rádio e cinema, além de uma carreira marcada por participações em produções de destaque e pelo envolvimento na história da televisão brasileira.
Nascido Epaminondas Xavier Gracindo em 1939, ele iniciou sua trajetória artística aos 15 anos, em 1954, trabalhando na Rádio Nacional como ator e redator. Sua estreia no teatro ocorreu em 1959, na peça “A Escada”, de Oswald de Andrade, marcando o início de uma carreira que se estenderia por mais de cinquenta anos. Sua relação com o rádio, o teatro, a televisão e o cinema foi marcada por uma versatilidade que o consolidou como uma figura importante no cenário artístico nacional.
Em 1965, Gracindo Jr. integrou o elenco da recém-inaugurada TV Globo, uma das maiores emissoras do país, participando de novelas e programas que se tornaram referências na história da televisão brasileira. Entre suas obras mais conhecidas na emissora estão as novelas “Rosinha do Sobrado”, “Padre Tião”, “A Rainha Louca”, “A Próxima Atração”, “Os Ossos do Barão” e “Supermanoela”. Sua atuação na Globo contribuiu para a consolidação da televisão como uma das principais plataformas de entretenimento no Brasil.
O artista também teve a oportunidade de dividir a tela com seu pai, Paulo Gracindo, em produções como “O Bem Amado” e “O Casarão”, onde interpretaram as versões jovens e idosas do protagonista, demonstrando a conexão familiar e a versatilidade de ambos na arte de atuar. Essa colaboração familiar foi um destaque ao longo de suas carreiras, reforçando a tradição artística da família Gracindo.
Nos anos 2000, Gracindo Jr. expandiu sua atuação para outras emissoras, como a TV Record, participando de novelas como “Cidadão Brasileiro” e “Poder Paralelo”, além da minissérie “Rei Davi”. Sua trajetória também inclui o reconhecimento como diretor, tendo assinado produções de sucesso, como a novela “Marron-Glacê” e o programa humorístico “Os Trapalhões” em 1983. Sua contribuição na direção ajudou a moldar o humor e a dramaturgia brasileira de várias épocas.
Além do trabalho na televisão, Gracindo Jr. esteve envolvido na criação e apresentação dos primeiros videoclipes de artistas brasileiros exibidos no programa “Fantástico”, contribuindo para a inovação na mídia audiovisual do país. Apesar de formado em psicologia, ele nunca trabalhou na área, optando por seguir sua paixão pelas artes cênicas e pela produção audiovisual.
Gracindo Jr. deixa a esposa Daisy Poli, com quem esteve unido por quase 50 anos, e cinco filhos, entre eles os atores Gabriel Gracindo, de 48 anos, e Pedro Gracindo, de 41. Ainda não foram divulgadas informações sobre velório e sepultamento. Sua morte representa uma perda significativa para o teatro, a televisão e o cinema brasileiros, deixando um legado de dedicação e contribuições relevantes para o entretenimento nacional.


