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Apoio a Hugo Motta reúne 15 partidos, enquanto PL mantém disputa aberta no Senado

Apoio a Hugo Motta reúne 15 partidos, enquanto PL mantém disputa aberta no Senado

O PL ampliou sua presença no Congresso após as eleições de 2026, mas ainda enfrenta dificuldades para converter o resultado das urnas em controle sobre as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado. Na Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) consolidou o apoio de 15 partidos e aparece em posição favorável para buscar a recondução ao cargo. No Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tenta conter o avanço da oposição e ampliar sua base antes da eleição marcada para 1º de fevereiro de 2027.

A articulação em torno de Motta reúne legendas do Centrão que, embora tenham apoiado Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial, passaram a defender a permanência do atual presidente da Câmara. Motta, por sua vez, havia apoiado a campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Republicanos, partido de Motta, declarou apoio a Flávio no segundo turno.

A divergência no posicionamento presidencial não impediu que Motta conduzisse a votação de propostas de interesse do governo Lula. Entre as medidas aprovadas sob sua condução estão o fim da escala de trabalho 6×1 e a ampliação do limite de faturamento dos microempreendedores individuais, os MEIs.

Levantamento publicado pelo Metrópoles mostra que as siglas que apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno elegeram 286 deputados. Já os partidos que ficaram ao lado de Lula conquistaram 124 cadeiras. Mesmo com a vantagem numérica do campo político associado ao PL, o desempenho eleitoral não se transformou, até agora, em uma composição capaz de assegurar ao partido o comando da Câmara após a vitória de Lula sobre o candidato da legenda.

O grupo que apoia Motta reúne 361 deputados eleitos por 15 partidos. Para vencer a eleição em primeiro turno, ele precisará alcançar 257 votos, número correspondente à maioria absoluta dos 513 integrantes da Casa. Como a votação será secreta, o apoio anunciado por líderes partidários não garante automaticamente o resultado, mas coloca o presidente da Câmara em uma situação considerada confortável.

Com 121 deputados, o PL terá a maior bancada da próxima legislatura. Ainda assim, a sigla não possui votos suficientes para eleger sozinha um candidato à presidência. Se decidir integrar formalmente o grupo de Motta, a aliança poderá chegar a 16 partidos e reunir, potencialmente, 482 deputados, desde que os apoios já anunciados sejam mantidos.

A principal dúvida dentro do PL é se a legenda declarará apoio institucional a Motta ou se permitirá que os parlamentares negociem individualmente uma aproximação com o presidente da Câmara. A resistência de parte da bancada está ligada ao fato de Motta ter apoiado Lula na disputa presidencial. Deputados bolsonaristas, entre eles Nikolas Ferreira (PL-MG), têm manifestado publicamente oposição à adesão do partido.

Após uma reunião de mais de duas horas na sede do PL, na terça-feira (3/11), o líder da sigla na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), informou que a decisão foi transferida para quarta-feira (11/11). Segundo ele, antes de definir a posição partidária, será necessário ouvir também os deputados eleitos para a próxima legislatura, que terá 32 parlamentares a mais.

Parte do PL teme que a ausência de um acordo com Motta deixe o partido fora das negociações mais importantes da próxima legislatura. A preocupação não está relacionada às emendas individuais, cuja execução é obrigatória, mas à possibilidade de a legenda perder influência sobre as emendas de comissão e reduzir sua capacidade de negociar a destinação de recursos.

O assunto também é considerado prioritário para o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Em 2025, ele chegou a reivindicar para o partido a presidência da Comissão de Saúde, um dos colegiados considerados mais relevantes na distribuição de emendas parlamentares.

Rogério Marinho é lançado pelo PL para a presidência do Senado

No Senado, o PL decidiu adotar uma postura mais competitiva. A legenda oficializou, na quarta-feira (4/11), a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) à presidência da Casa. Ex-coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Marinho terá como principal adversário Davi Alcolumbre na eleição de 1º de fevereiro de 2027.

O PL contará com 29 dos 81 senadores e terá ainda o apoio do Novo, que elegeu três parlamentares. Para assumir a presidência do Senado, Marinho precisará conquistar pelo menos 41 votos. O plano da legenda é buscar apoio entre senadores de direita, integrantes do Centrão e parlamentares de partidos que negociam com Alcolumbre, mas demonstram resistência à sua recondução.

A oposição, no entanto, enfrenta uma divisão interna. Tereza Cristina (PP-MS) também mantém uma pré-candidatura à presidência do Senado e procura reunir votos para a disputa. Marinho e Tereza afirmam ter um entendimento para evitar que os dois concorram entre si, mas a decisão sobre uma possível união deverá ser tomada somente mais perto de fevereiro.

Enquanto as duas candidaturas permanecerem no mesmo campo político, Alcolumbre tende a ser beneficiado. O atual presidente do Senado busca atrair parlamentares de direita e, ao mesmo tempo, conta com o apoio da base alinhada ao governo Lula na Casa.

Dentro dessa estratégia, Alcolumbre deverá referendar a indicação do senador Eduardo Gomes (PL-TO) para relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027. Embora integre a oposição, Gomes mantém proximidade política com o presidente do Senado.

Em declaração ao portal, Gomes afirmou que sua escolha seguiu o procedimento tradicional da Comissão Mista de Orçamento (CMO), a partir das indicações apresentadas pelos líderes partidários. Segundo o senador, Alcolumbre apenas referenda e publica as escolhas feitas no processo da comissão, procedimento que também se aplica aos demais relatores.

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