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Abstenção nas eleições de 2023 pode impactar mais Lula do que Flávio Bolsonaro, apontam analistas

Abstenção nas eleições de 2023 pode impactar mais Lula do que Flávio Bolsonaro, apontam analistas

A estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para garantir a vitória no segundo turno das eleições de 2023 concentra-se principalmente na mobilização dos mais de 33,4 milhões de eleitores que não participaram do primeiro turno, que ocorreu em 2 de outubro. No entanto, especialistas ouvidos pelo portal apontam que o índice de abstenção pode exercer um impacto mais significativo nos resultados de Lula do que na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

De acordo com análises, esse contingente de eleitores que não votou é majoritariamente composto por indivíduos que tendem a votar em Lula, sobretudo por suas características socioeconômicas. O cientista político Antônio Lavareda destaca que esse perfil é compatível com o dos eleitores que historicamente apoiam o atual presidente, especialmente aqueles de baixa escolaridade e renda. Ele acrescenta que, nesse grupo, Lula tende a perder votos devido ao seu forte apoio entre os mais pobres, o que reforça a importância de mobilizar esse eleitorado para o segundo turno.

Pesquisas de intenção de voto realizadas pelo Datafolha apontam que o perfil dos eleitores que declararam votar em Lula é influenciado por fatores estruturais. Entre as razões para a ausência às urnas, especialmente entre eleitores de baixa renda, estão obstáculos logísticos, como dificuldades de acesso aos locais de votação ou a distância até a seção eleitoral. Apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter determinado a gratuidade do transporte público nos dias de votação para facilitar o deslocamento, essa medida ainda não é suficiente para eliminar completamente o problema.

O cientista Antônio Lavareda destaca que questões como a responsabilidade de cuidar de filhos sozinhas ou a gestão de votos em diferentes locais de votação, além de condições climáticas adversas, podem dificultar a participação desse eleitorado. Essas dificuldades, segundo ele, contribuem para o aumento da abstenção, especialmente em contextos de condições adversas, como dias de chuva.

No que se refere às faixas etárias, há diferenças no comportamento de abstenção. Leandro Gabiatite, outro especialista, explica que entre os jovens a ausência às urnas pode estar relacionada à desconfiança na política ou ao desinteresse pelo tema. Por outro lado, entre os eleitores com mais de 70 anos, a abstenção pode estar relacionada à facultatividade do voto para essa faixa etária, o que aumenta a possibilidade de não comparecimento às urnas nesse grupo.

Para o segundo turno, a campanha de Lula tem intensificado esforços de mobilização, especialmente por meio de comunicação direta nas redes sociais. O petista tem feito convocações para que seus apoiadores compareçam às urnas, buscando reverter o alto índice de abstenção registrado no primeiro turno, que foi considerado o mais elevado dos últimos cinco pleitos presidenciais. Uma estratégia inédita na campanha tem sido a publicação de vídeos no formato selfie, nos quais Lula busca aproximar-se dos eleitores e estimular sua participação no dia da votação.

Apesar dessas iniciativas, especialistas alertam para o desafio de reduzir a abstenção no segundo turno. Historicamente, as eleições presidenciais brasileiras apresentam aumento no índice de não comparecimento na segunda rodada. Das quatro disputas realizadas entre 2010 e 2022, três tiveram aumento na abstenção na fase final, sendo a única exceção a eleição de 2022, que apresentou queda no índice.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral indicam que, no primeiro turno de 2023, 125,3 milhões de eleitores compareceram às urnas, representando 78,92% do eleitorado apto. Para Lula, a diferença de votos em relação a Flávio Bolsonaro, de aproximadamente 2,2 milhões, reforça o desafio de mobilizar seu eleitorado para reverter essa margem e assegurar a vitória no segundo turno.

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