As novas medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos passaram a impactar cerca de 23,1% das exportações brasileiras para o mercado norte‑americano, após a conclusão de duas investigações conduzidas pelo governo dos EUA com base na Seção 301 da legislação comercial do país. Essas investigações resultaram em sobretaxas adicionais de 25% e de 12,5% sobre determinados produtos brasileiros, elevando o custo de entrada de parte da pauta exportadora brasileira para o principal destino externo do Brasil.
Medidas, datas de implementação e sobreposição de tarifas
A primeira medida, publicada em 15 de julho, impõe uma sobretaxa de 25% a uma lista específica de produtos brasileiros. Em 23 de julho, data subsequente, o governo norte‑americano anunciou uma segunda tarifa adicional de 12,5% para produtos originários do Brasil no âmbito de uma investigação relacionada a práticas para o combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de suprimentos. Em alguns casos, as duas sobretaxas incidem simultaneamente sobre o mesmo item, o que leva o conjunto a alcançar 37,5% de sobretaxa nesse ponto específico.
Distribuição setorial do impacto
Segundo o governo brasileiro, aproximadamente 16,5% das exportações para os Estados Unidos estão sujeitas à tributação acumulada de 37,5% quando ocorrem as duas sobretaxas sobre o mesmo produto — incluindo máquinas e equipamentos, móveis, calçados, confecções, madeiras e óleos vegetais. Em outro grupo, 4,7% das exportações são atingidas apenas pela tarifa de 12,5%, abrangendo itens como minérios, pescados, óleos essenciais e artigos de pedra e gesso. Já 1,9% das vendas externas ficam sujeitas exclusivamente à sobretaxa de 25%, entre as quais está o açúcar. Esse mapeamento evidencia que uma parcela relevante do fluxo exportador brasileiro para os EUA está sujeita aos novos custos adicionais, ainda que haja itens protegidos apenas pela tarifa ordinária de importação.
Participação relativa e impactos totais
Apesar do aumento das tarifas, o levantamento aponta que cerca de 52,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos continuam livres dessas novas sobretaxas, permanecendo sujeitas apenas às tarifas usuais de importação. Estão nesse bloco produtos como café, carnes, aeronaves, frutas, suco de laranja, ferro fundido, celulose e parte dos produtos químicos. As medidas não se aplicam aos itens já abrangidos pelas tarifas setoriais previstas na Seção 232 da legislação dos EUA, que atingem cerca de 24,2% das exportações brasileiras e incidem sobre segmentos específicos, como aço e alumínio.
Cenário do comércio bilateral
Os dados também apontam uma desaceleração no comércio entre Brasil e Estados Unidos. Em 2024, o comércio brasileiro com os EUA atingiu um recorde de US$ 40,4 bilhões em exportações. Em 2025, esse volume caiu para US$ 37,7 bilhões. No primeiro semestre de 2026, as vendas ao mercado norte‑americano somaram US$ 17,4 bilhões, representando uma redução de 13% frente ao mesmo período do ano anterior. Em termos de participação, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu de 12,1% no primeiro semestre de 2025 para 9,4% no mesmo período de 2026. O governo brasileiro atribui esse recuo a um cenário de maior incerteza na política comercial dos EUA, marcado pela ampliação do uso de tarifas e por mudanças frequentes nas regras de acesso ao mercado americano.


