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Aliados criticam estratégia de Flávio Bolsonaro após fala sobre urnas

Aliados criticam estratégia de Flávio Bolsonaro após fala sobre urnas

As recentes declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o sistema eleitoral geraram um racha nos bastidores da pré-campanha à Presidência da República. Em um encontro com diplomatas realizado na terça-feira (21/7), o parlamentar levantou questionamentos sobre as urnas eletrônicas.
Embora os advogados da campanha tentem afastar qualquer semelhança com o caso que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível, aliados e dirigentes partidários avaliam que o episódio representa mais um tropeço estratégico, dificultando o diálogo com o eleitorado moderado e a ampliação de alianças para a disputa.
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já esclareceu em diferentes ocasiões que a empresa Smartmatic não fornece urnas nem softwares utilizados nas eleições brasileiras. Aos diplomatas, Flávio também argumentou que o pai dele foi alvo de uma punição injusta da Justiça Eleitoral em 2023, quando foi condenado por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação após uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada, na qual também atacou o sistema de votação.
“Não estou questionando o sistema de votação brasileiro. Mas gostaria que todos os países mandassem a maior quantidade possível de observadores para as nossas eleições, como sempre fazem, assim como pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e sobre como o Brasil pode ter eleições mais seguras e transparentes”, afirmou no evento.
Flávio Bolsonaro em encontro com lideranças femininas
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Senador Flávio Bolsonaro (PL)
Desde o lançamento da pré-candidatura de Flávio, a ordem no entorno do senador era construir uma imagem de moderação para romper a barreira bolsonarista e atrair eleitores independentes, segmento considerado essencial para reduzir a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas. Contudo, aliados apontam que ressuscitar o debate sobre as urnas prende a campanha a pautas que o próprio entorno pretendia deixar em segundo plano.
O desgaste também atinge as negociações políticas. O PL tenta atrair legendas do Centrão, como PP, União Brasil, Republicanos e Podemos, para uma coligação. Dirigentes dessas siglas avaliam que a tendência é a adoção de neutralidade na disputa presidencial, com liberação de filiados, cenário agravado pela dificuldade do senador em se descolar do imaginário bolsonarista e por falhas na articulação política.
Internamente, aliados relatam que o episódio evidencia o isolamento do senador e a centralização das decisões sem consulta prévia. Pesquisas recentes já indicavam obstáculos para Flávio crescer entre eleitores moderados, e a nova controvérsia tende a aprofundar esse desafio, na avaliação de uma ala da campanha.
Para conter o desgaste e evitar ofensivas na Justiça Eleitoral, a campanha divulgou uma nota oficial assinada por Flávio, pelo coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e pela advogada Maria Claudia Bucchianeri.
O texto afirma que “não é verdade que o pré-candidato Flávio Bolsonaro tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil” e que ele se “limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa”, reiterando integral confiança no processo eleitoral.

“O pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que ‘não está questionando o sistema de votação brasileiro’ e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional. Afastada qualquer descontextualização das falas do pré candidato, sua equipe de pré-campanha reafirma sua integral confiança no sistema eleitoral brasileiro”, diz a nota.
Apesar da crise política, a equipe jurídica avalia que o episódio difere do caso que gerou a inelegibilidade de Jair Bolsonaro em 2023, uma vez que Flávio participou de um evento privado e sem o uso de estrutura do governo.

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