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Spray nasal com oximetazolina e budesonida apresenta melhor controle da congestão em estudo com 60 adultos

Spray nasal com oximetazolina e budesonida apresenta melhor controle da congestão em estudo com 60 adultos

Adultos com obstrução nasal persistente e resposta insuficiente ao tratamento convencional com corticosteroides apresentaram melhora mais expressiva ao utilizar um spray que combina oximetazolina e budesonida. Em um ensaio clínico com 60 participantes, a associação reduziu os índices de congestão mais do que a budesonida administrada isoladamente e não foi acompanhada por piora significativa dos sintomas durante a retirada gradual do descongestionante.

Os resultados foram publicados em 29 de outubro na revista científica JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery. A pesquisa foi voltada a adultos com obstrução nasal crônica que não haviam obtido alívio satisfatório com sprays convencionais à base de corticoides, uma situação que pode manter a dificuldade para respirar pelo nariz mesmo após o início do tratamento.

A oximetazolina e a budesonida atuam de maneiras diferentes. A oximetazolina é um descongestionante que contrai os vasos sanguíneos presentes no revestimento interno do nariz. Com a redução do calibre desses vasos, o inchaço da mucosa diminui e a passagem de ar tende a ser facilitada. A budesonida, por sua vez, é um corticosteroide utilizado para controlar processos inflamatórios.

Participantes usaram os sprays por quatro semanas

Os 60 voluntários foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos. Durante quatro semanas, uma parte recebeu o spray com os dois medicamentos, enquanto a outra utilizou somente budesonida. Em ambos os casos, as aplicações foram feitas duas vezes ao dia.

Após o período inicial, os pesquisadores reduziram progressivamente a quantidade de oximetazolina ao longo de duas semanas. Na sétima semana, o descongestionante já havia sido completamente suspenso. O desenho do estudo permitiu avaliar não apenas a resposta inicial à combinação, mas também o comportamento da obstrução durante a retirada do medicamento.

A preocupação nesse tipo de tratamento está relacionada ao chamado efeito rebote. O fenômeno ocorre quando a congestão retorna ou se intensifica depois do uso prolongado de descongestionantes. Como a oximetazolina provoca contração dos vasos sanguíneos da mucosa nasal, a possibilidade de piora após a interrupção é uma das questões avaliadas pelos pesquisadores.

Combinação teve resultados superiores à budesonida isolada

Na avaliação realizada ao fim de quatro semanas, 83% dos participantes que receberam a associação de oximetazolina e budesonida relataram pelo menos uma melhora moderada dos sintomas. No grupo que utilizou apenas budesonida, o percentual foi de 36%.

A diferença também foi observada nos índices objetivos de obstrução nasal. Depois de duas semanas de tratamento, esses índices haviam diminuído 69% entre os participantes que usaram os dois medicamentos. Entre aqueles tratados somente com budesonida, a redução foi de 41%.

Ao final da quarta semana, a queda chegou a 76% no grupo da combinação. No grupo da budesonida isolada, o recuo dos índices de congestão alcançou 46%. Os dados indicam uma resposta mais acentuada com a associação desde as primeiras semanas e uma diferença ainda maior ao término da fase inicial do estudo.

Retirada do descongestionante não provocou piora significativa

Durante a redução gradual da dose de oximetazolina e na semana seguinte à suspensão completa, os pesquisadores não identificaram piora significativa da obstrução nasal. Entre os participantes que já apresentavam os sintomas controlados, 75% mantiveram essa melhora durante toda a semana sem o descongestionante.

Além disso, nenhum participante que utilizou a combinação apresentou piora da obstrução nasal durante o período analisado. Com base nesses resultados, os autores consideram que a estratégia pode ter utilidade para pessoas com congestão persistente que não respondem adequadamente ao uso convencional de corticosteroides.

Os pesquisadores, no entanto, ressaltam que os achados devem ser interpretados com cautela. O estudo contou com apenas 60 adultos e acompanhou os participantes por sete semanas. Assim, os resultados não permitem concluir que a associação impeça o efeito rebote quando o descongestionante é utilizado ou retirado em períodos mais longos.

Novas pesquisas, com acompanhamento prolongado, ainda são necessárias para verificar a segurança e a eficácia da combinação no longo prazo. Os dados publicados apontam uma possível alternativa para casos de obstrução nasal persistente, mas não substituem investigações adicionais sobre os efeitos do tratamento após períodos maiores de uso e de suspensão da oximetazolina.

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