O presidente nacional do PT, Edinho Silva, foi escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para iniciar as conversas com partidos do centro sobre a composição do governo em um eventual quarto mandato do petista. As articulações devem começar na próxima semana, após o feriado de Finados, celebrado na segunda-feira (2/11).
A tarefa atribuída a Edinho envolve os primeiros contatos com as legendas que integram o chamado Centrão. O objetivo será discutir a participação desses partidos na estrutura do governo e avaliar o grau de compromisso de cada sigla com as pautas e os projetos apresentados pelo Executivo.
Segundo auxiliares de Lula, a distribuição de espaços no governo deverá seguir um critério mais rigoroso do que o adotado no atual mandato. A permanência ou a entrada de partidos na Esplanada deverá considerar não apenas a ocupação de ministérios, mas também a disposição das legendas para apoiar o governo nas votações e nas iniciativas encaminhadas ao Congresso Nacional.
A mudança de postura está relacionada às dificuldades enfrentadas pelo governo no atual mandato. Embora Lula tenha destinado ministérios a partidos como MDB, PSD e União Brasil, integrantes dessas legendas votaram contra o Executivo em diferentes ocasiões no Legislativo. Para o próximo período, a expectativa é de que a cobrança por fidelidade política seja maior.
Na prática, a participação em um eventual governo Lula 4 deverá estar mais diretamente associada ao apoio às prioridades do presidente. O critério indicado pelos auxiliares busca evitar que partidos ocupem espaços na estrutura federal e, ao mesmo tempo, atuem contra o governo em votações consideradas importantes.
Edinho Silva não será o único responsável pelas negociações. Outros emissários do presidente também deverão participar dos contatos com as lideranças do Centrão. O próprio Lula poderá se envolver diretamente nas conversas a partir da próxima semana, conforme o andamento das articulações e a disposição dos partidos em discutir a composição do governo.
O cenário político para essas conversas também será influenciado pelo posicionamento adotado pelas principais siglas do Centrão no segundo turno das eleições presidenciais. Na ocasião, esses partidos declararam apoio a Flávio Bolsonaro, do PL, que acabou derrotado nas urnas.
Entre as legendas que apoiaram Flávio Bolsonaro estão Republicanos, Podemos e MDB. Também fazem parte desse grupo a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. A atuação desses partidos durante a campanha e no Congresso deverá ser considerada nas negociações sobre a distribuição de espaços no eventual quarto mandato de Lula.
As conversas, portanto, devem tratar tanto da composição política do governo quanto do nível de compromisso que cada legenda estará disposta a assumir com o Executivo. A expectativa é que Edinho Silva faça os primeiros movimentos e ajude a estabelecer as bases para as negociações que poderão envolver diferentes partidos do centro.


