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Ibovespa abre em baixa, pressionado pelo cenário externo e por dados do mercado de trabalho

Ibovespa abre em baixa, pressionado pelo cenário externo e por dados do mercado de trabalho

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, abriu o pregão desta sexta-feira (30/10) em queda, influenciado pelo ambiente externo e pela divulgação de novos dados sobre o mercado de trabalho no país. Às 10h06, o índice registrava 168.216,26 pontos, com retração de 0,57% em relação ao fechamento da sessão anterior.

Na quinta-feira (29/10), o Ibovespa encerrou os negócios aos 169.186,42 pontos, após recuo de 1,06%. A baixa desta sexta-feira dá continuidade ao movimento negativo observado no pregão anterior, em um dia marcado pela atenção dos investidores a fatores políticos, econômicos e internacionais.

Entre os assuntos acompanhados pelos mercados está a derrota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fugiu para os Estados Unidos. O episódio permanece no radar dos investidores e integra o conjunto de fatores que influenciam as negociações nesta sexta-feira.

Também ganhou destaque a divulgação dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), levantamento que reúne informações sobre o mercado de trabalho brasileiro. De acordo com os dados apresentados, a taxa de desemprego ficou em 5,2% no trimestre encerrado em setembro.

O resultado representa a menor taxa registrada para o período desde o início da série histórica, em 2012. A redução do desemprego indica um mercado de trabalho mais aquecido e, segundo a interpretação dos agentes financeiros, pode influenciar as perspectivas para a política monetária e para os juros no país.

Embora a melhora no emprego e o aumento da renda favoreçam o consumo das famílias, o aquecimento da atividade também é visto com cautela pelo mercado. A avaliação é de que a maior demanda pode dificultar o controle da inflação, especialmente no setor de serviços, e aumentar a possibilidade de manutenção de juros elevados por mais tempo.

“O mercado de trabalho aquecido e a renda em expansão ajudam a sustentar o consumo das famílias, mas também dificultam o controle da inflação de serviços. Com esse cenário no radar, nossa expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Selic em 13,75% na reunião da semana que vem”, afirmou a economista do C6 Bank Claudia Moreno.

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e serve como referência para diversas operações de crédito e investimentos. A possibilidade de juros mais altos à frente costuma pesar sobre o mercado acionário, pois tende a elevar o custo do dinheiro e pode reduzir a atratividade de ativos de maior risco, como as ações.

Mercados internacionais operam com sinais mistos

No exterior, os investidores acompanham a permanência do petróleo acima da marca de US$ 110 por barril. A valorização da commodity é um dos fatores que influenciam as expectativas para a inflação e para a atividade econômica, além de afetar empresas e setores relacionados ao mercado de energia.

As bolsas da Ásia e da Europa apresentavam desempenho misto nesta sexta-feira, com parte dos mercados em baixa e outra parte em alta. A falta de uma direção única no cenário internacional também contribui para a cautela observada nas negociações brasileiras.

O dólar comercial, por sua vez, abriu em alta no mercado à vista em comparação com o fechamento da quinta-feira. Às 9h49, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,44, com valorização de 1,05%.

No mercado de petróleo, o barril do tipo Brent, referência internacional, era negociado a US$ 113,29 às 9h54. O preço representava alta de 2,25% em 24 horas, reforçando a pressão da commodity sobre as expectativas dos mercados nesta sexta-feira.

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