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Vacina experimental contra câncer de pâncreas ativa resposta imune em 98,9% dos pacientes avaliados

Vacina experimental contra câncer de pâncreas ativa resposta imune em 98,9% dos pacientes avaliados

Uma vacina experimental contra o câncer de pâncreas provocou resposta do sistema imunológico em 98,9% dos pacientes que receberam o imunizante e puderam ser avaliados. O resultado foi observado em um ensaio clínico de fase 2 com pessoas que haviam sido submetidas a cirurgia e quimioterapia. Apesar do efeito sobre as células de defesa, o estudo ainda não comprovou que a vacina reduz o risco de retorno da doença ou aumenta a sobrevida.

Os resultados foram publicados em 23 de outubro na revista científica Nature Medicine. A pesquisa avaliou a camupepimut, uma vacina desenvolvida para ensinar o sistema imunológico a identificar sete mutações comuns no gene KRAS. Essas alterações estão presentes em aproximadamente 90% dos casos de adenocarcinoma ductal pancreático, o tipo mais frequente de câncer de pâncreas.

O gene KRAS pode sofrer alterações que favorecem a sobrevivência e o crescimento das células tumorais. A proposta da vacina é estimular o organismo a reconhecer essas mudanças e, assim, direcionar a resposta das células de defesa contra as células cancerígenas que apresentam as mutações.

Estudo avaliou pacientes após cirurgia e quimioterapia

O ensaio clínico incluiu 144 pessoas com câncer de pâncreas associado a mutações no gene KRAS. Todos os participantes haviam passado por cirurgia e quimioterapia e não apresentavam sinais visíveis da doença nos exames de imagem realizados no início da pesquisa.

Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos. Um deles, formado por 96 pessoas, recebeu a vacina. O grupo de controle contou com 48 participantes, que não receberam o imunizante. Entre os pacientes vacinados, 90 puderam ser avaliados quanto à resposta imunológica.

Desse grupo, 98,9% apresentaram aumento da atividade das células T contra as mutações do KRAS. Essas células fazem parte do sistema de defesa do organismo e atuam no reconhecimento e no combate a ameaças, incluindo células cancerígenas. Em mais de 80% dos participantes avaliados, a resposta das células T foi pelo menos nove vezes maior do que antes da vacinação.

Para Ben George, oncologista da Clínica Mayo e primeiro autor do estudo, os resultados indicam que a vacina conseguiu ensinar o sistema imunológico a identificar alterações genéticas presentes nas células tumorais.

Resposta imune ainda não se traduziu em benefício clínico comprovado

Embora a vacina tenha estimulado a atividade imunológica, não houve diferença significativa no tempo em que os pacientes permaneceram sem sinais de retorno do câncer quando comparados ao grupo que não recebeu o imunizante. Esse período é chamado de sobrevida livre de doença e corresponde ao intervalo após o tratamento em que não são identificados sinais de recorrência.

Uma análise inicial indicou que os pacientes que apresentaram uma resposta imunológica mais forte pareciam permanecer por mais tempo sem a doença. No entanto, essa observação não permite afirmar que a vacina tenha sido responsável pelo resultado. A ativação das células de defesa, por si só, não significa necessariamente que o câncer deixará de retornar.

Os pesquisadores ainda precisam verificar se a resposta provocada pela camupepimut poderá produzir benefícios concretos, como diminuir as chances de recorrência ou prolongar a vida dos pacientes. A equipe planeja realizar um ensaio clínico de fase 3 para investigar de forma mais abrangente a eficácia do imunizante. A próxima etapa poderá avaliar doses adicionais de reforço e a combinação da vacina com outros tratamentos contra o câncer.

Pesquisas buscam usar o sistema imunológico contra tumores

A camupepimut faz parte de uma linha de pesquisas que tenta utilizar o próprio sistema imunológico para reconhecer alterações específicas das células cancerígenas. Outra estratégia em desenvolvimento envolve vacinas personalizadas de RNA mensageiro, produzidas com base nas características genéticas do tumor de cada paciente.

No caso do câncer de pâncreas, uma dessas vacinas personalizadas também está sendo testada em ensaios clínicos. Os resultados ainda são preliminares e não permitem afirmar que o tratamento seja eficaz contra a doença.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer está entre os principais problemas de saúde pública no mundo e figura entre as quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Como a identificação precoce aumenta as chances de recuperação, sinais persistentes no organismo devem ser investigados por profissionais de saúde.

A perda de peso sem causa aparente pode ocorrer em diferentes tipos de câncer, incluindo os de estômago, pulmão e pâncreas. Mudanças persistentes na textura da pele, inchaços ou caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago também podem ser sinais de alerta.

Tosse persistente por mais de quatro semanas deve ser investigada, especialmente quando acompanhada de falta de ar ou presença de sangue. Alterações em pintas, como mudança de tamanho, cor ou formato, além de descamação, sangramento ou liberação de líquido, também exigem avaliação.

Sangue nas fezes ou na urina pode estar relacionado a tumores nos rins, na bexiga ou no intestino. Dor e dificuldade para urinar também devem ser examinadas. Dores sem causa aparente que durem mais de quatro semanas, de maneira contínua ou intermitente, podem ocorrer quando tumores pressionam ossos, nervos ou outros órgãos.

Azia intensa e recorrente, acompanhada de dor e que não melhora, além de dificuldade ou dor ao engolir, pode estar associada a diferentes doenças, incluindo cânceres de garganta, estômago e esôfago. Esses sinais não confirmam a presença de câncer, mas devem ser avaliados quando persistem.

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