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Reeleito para o quarto mandato, Lula completa 81 anos após vitória histórica sobre Flávio Bolsonaro

Reeleito para o quarto mandato, Lula completa 81 anos após vitória histórica sobre Flávio Bolsonaro

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) completa 81 anos nesta terça-feira (27/10), dois dias depois de conquistar a Presidência da República pela quarta vez. A vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) ocorreu em uma das disputas mais acirradas da história do país e marcou uma virada inédita desde a adoção do sistema de dois turnos, previsto na Constituição de 1988.

Lula terminou o primeiro turno atrás do adversário, mas conseguiu reverter o resultado na etapa final. Desde a implantação das eleições presidenciais em dois turnos, nenhum candidato que havia ficado em segundo lugar na primeira votação havia conseguido assumir a liderança no segundo turno.

A comemoração do aniversário está prevista para ocorrer no Palácio da Alvorada, a partir das 17h. A expectativa é de que participem aliados, auxiliares próximos do presidente e militantes do PT. O partido no Distrito Federal convocou apoiadores para uma celebração em frente ao espelho d’água do palácio. A previsão é que Lula vá ao encontro dos presentes e faça um discurso para a militância.

Virada no segundo turno alterou o resultado da eleição

Na primeira votação, Lula recebeu 53.876.617 votos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 56.104.268. A diferença era de aproximadamente 2,23 milhões de votos a favor do senador. No segundo turno, porém, o cenário se inverteu, e Lula terminou a disputa com cerca de 4,43 milhões de votos de vantagem.

Entre as duas etapas, o petista ampliou sua votação em aproximadamente 10,38 milhões de votos. Flávio, por sua vez, recebeu cerca de 3,72 milhões de votos a mais do que no primeiro turno. A abstenção caiu de 21,08% para aproximadamente 19,2%, enquanto também houve redução no número de votos brancos e nulos. A transferência de votos dos candidatos derrotados e a maior participação do eleitorado aumentaram o total de votos válidos em disputa.

Lula concentrou cerca de 73% desse crescimento, contra 26,24% de Flávio. Na comparação entre os dois turnos, a cada quatro novos votos contabilizados, aproximadamente três foram destinados ao petista. A campanha também foi marcada por forte mobilização nas ruas e nas redes sociais, incluindo a atuação do deputado federal André Janones (Rede-MG), que comandou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”.

Trajetória eleitoral inclui sete disputas pela Presidência

Com a nova vitória, Lula permanecerá no cargo até janeiro de 2031. Ele governou o Brasil de 2003 a 2006, no primeiro mandato, e de 2007 a 2010, no segundo. Em 2022, voltou à Presidência para um terceiro mandato, iniciado em 2023, aos 77 anos, tornando-se o presidente mais velho a assumir o comando do país. Segundo o próprio petista, a campanha de 2026 foi sua última disputa pela Presidência da República.

A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027. A partir das eleições de 2026, a Constituição estabelece essa data para a posse do presidente e do vice-presidente da República. Governadores e vice-governadores tomarão posse em 6 de janeiro. A mudança foi determinada pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021.

A eleição deste ano foi a sétima candidatura de Lula à Presidência. A primeira ocorreu em 1989, na eleição presidencial direta realizada após o fim da ditadura militar e a promulgação da Constituição de 1988. Naquele pleito, ele foi derrotado por Fernando Collor. Lula voltou a concorrer em 1994 e 1998, mas perdeu as duas eleições para Fernando Henrique Cardoso.

A primeira vitória ocorreu em 2002, quando derrotou José Serra no segundo turno. Em 2006, foi reeleito ao vencer Geraldo Alckmin. Em 2018, teve a candidatura indeferida e foi substituído por Fernando Haddad. Depois de um intervalo de 16 anos sem disputar a Presidência, retornou à corrida eleitoral em 2022 e venceu Jair Bolsonaro, que buscava a reeleição. Em 2026, derrotou Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente.

Infância e início da trajetória sindical

Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945, no então distrito de Caetés, que pertencia ao município de Garanhuns, em Pernambuco. Foi o sétimo dos oito filhos de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Melo, conhecida como dona Lindu.

Embora tenha nascido em 27 de outubro, Lula foi registrado com a data de 6 de outubro. A divergência decorre do fato de o registro ter sido feito anos depois do nascimento e ajuda a explicar a confusão em torno da data de seu aniversário.

Em dezembro de 1952, dona Lindu e sete dos oito filhos migraram para São Paulo para fugir da seca e da fome. A viagem durou 13 dias e foi realizada em um caminhão conhecido como “pau de arara”. A família se instalou inicialmente na periferia de Guarujá, a cerca de 60 quilômetros da capital paulista, e mais tarde se mudou para a cidade de São Paulo.

Lula começou a trabalhar aos 12 anos em uma tinturaria. Também foi engraxate e office-boy antes de ingressar no curso de torneiro mecânico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Após três anos de formação, tornou-se metalúrgico, em 1963, aos 18 anos.

Ele trabalhou em diferentes fábricas até conseguir uma vaga nas Indústrias Villares, uma das principais metalúrgicas do país, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Nesse período, aproximou-se do movimento sindical. Em 1975, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.

Durante a ditadura militar, embora as greves operárias fossem proibidas, mobilizações começaram a se espalhar pelo país. Em 19 de abril de 1980, Lula foi preso durante uma manifestação que reuniu mais de 200 mil metalúrgicos. O então líder sindical permaneceu detido por 31 dias no Departamento de Ordem Política e Social (Dops).

Enquanto ele estava preso, sua mãe, dona Lindu, morreu. Lula recebeu autorização para acompanhar o sepultamento. Antes da prisão, em 10 de fevereiro de 1980, ele havia fundado o Partido dos Trabalhadores ao lado de outros aliados.

Governos foram marcados por avanços e crises políticas

Nos dois primeiros mandatos de Lula, o país registrou avanços econômicos e sociais, e a aprovação do presidente chegou a superar 80%. Ao mesmo tempo, os governos enfrentaram graves escândalos de corrupção, com denúncias de pagamento de propina relacionadas a grandes obras e investimentos públicos. Os casos afetaram a imagem do PT.

Em 2005, o então deputado federal Roberto Jefferson denunciou um esquema de pagamento de mesadas a parlamentares em troca de votos favoráveis a projetos do governo no Congresso Nacional. O chamado “mensalão” envolvia recursos de empréstimos bancários fraudulentos e desvios de verbas de publicidade estatal, distribuídos em dinheiro vivo a deputados da base aliada.

O Supremo Tribunal Federal condenou 25 pessoas envolvidas no esquema. Entre elas estavam figuras importantes do PT, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares.

O partido também enfrentou uma grave crise política após a sucessora de Lula, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), sofrer impeachment em 2016. Posteriormente, Lula foi acusado pelo Ministério Público de atuar como um dos articuladores de um esquema de corrupção, propina e lavagem de dinheiro centrado na Petrobras e revelado pela Operação Lava Jato.

Segundo as investigações, o esquema envolvia o desvio de recursos da estatal por meio de pagamentos superfaturados a empreiteiras responsáveis por obras, como a construção de refinarias. Lula foi condenado e preso em abril de 2018 no âmbito das investigações.

Em abril de 2021, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que o petista não deveria ter sido julgado pela Justiça Federal de Curitiba e confirmou a anulação das condenações, além de decisões que atingiram processos ainda em andamento. Após 580 dias de prisão, Lula deixou a carceragem em novembro de 2019 e retomou sua trajetória política.

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