Rui Wanderley Barbosa da Silva, de 64 anos, foi morto a tiros enquanto seguia para o trabalho em Belo Horizonte, na madrugada de domingo (25). O vendedor de acarajé estava em uma Kombi com o irmão quando foi abordado por duas pessoas em uma motocicleta, na altura da rua José Simplício Moreira, no bairro Trevo. Um dos ocupantes efetuou disparos contra o comerciante, que foi atingido na cabeça e morreu após o ataque. A família afirma que nada foi roubado e cobra justiça.
Segundo Franciele, filha de Rui, o pai havia discutido cerca de três horas antes com um entregador que fazia serviços para o estabelecimento da família. O homem chegou a ser preso depois que a Polícia Militar identificou um endereço relacionado a ele, no bairro Conquista, em Contagem, mas foi liberado após prestar depoimento. A Polícia Civil continua investigando a autoria e a motivação do homicídio.
Natural de Ilhéus, na Bahia, Rui morava em Belo Horizonte havia 50 anos. Pai de nove filhos, era descrito pela família como uma pessoa atenciosa, trabalhadora e querida na região. “Ele conhecia todo mundo, qualquer lugar que ele ia o povo amava meu pai. Do bem, ajudava todo mundo”, afirmou Franciele.
O comerciante mantinha uma lanchonete de acarajé no bairro Xangri-Lá, batizada de “Acarajé da Natalice”, em homenagem à mãe. Além de vender os produtos no estabelecimento, ele também trabalhava na Feira de Artesanato da avenida Afonso Pena, conhecida como Feira Hippie. Na madrugada do crime, Rui levava a Kombi carregada e se preparava para montar a barraca no local.
Discussão ocorreu na noite anterior ao homicídio
De acordo com o relato da filha, na noite de sábado (24), o entregador que normalmente transportava as encomendas da loja teve um problema. Por isso, a família acionou outro profissional por meio de uma empresa especializada. Durante uma das entregas, Rui e o novo motociclista discutiram.
Franciele ressaltou que não houve agressão física. “Foi apenas uma discussão, não chegou a ser uma briga. Ninguém chegou a brigar, bater um no outro”, disse. Ainda segundo ela, durante o desentendimento, o entregador teria afirmado ao idoso: “Coroa, você não me conhece. Eu sou cria da Bispo de Maura. Vou ali pegar uma peça e depois nos vemos”.
Após o episódio, o proprietário da cooperativa responsável pelo serviço foi até o estabelecimento e perguntou se a família gostaria de registrar um boletim de ocorrência contra o entregador. Rui teria recusado, depois de ouvir que o homem era conhecido do responsável pela empresa, trabalhava com ele havia dois anos e não costumava causar problemas.
Vítima foi atacada dentro da Kombi
Por volta de três horas depois da discussão, Rui saiu com o irmão em direção à Feira Hippie. Quando passavam pelo bairro Trevo, os dois foram surpreendidos pelos ocupantes de uma moto. O passageiro teria sido o responsável pelos disparos. Um dos tiros atingiu a cabeça do comerciante.
O irmão da vítima estava ao lado dele no momento do ataque, mas não conseguiu identificar os autores. Conforme Franciele, o homem ficou traumatizado e não conseguiu enxergar com clareza quem estava na motocicleta. Mesmo ferido, Rui ainda conseguiu dirigir por alguns metros.
Uma equipe da Polícia Militar foi acionada, prestou socorro ao comerciante e o encaminhou ao Hospital Risoleta Neves. Rui, porém, não resistiu aos ferimentos e morreu. Para a família, a proximidade entre a ameaça e o assassinato reforça a suspeita de que o crime tenha sido planejado.
“É muito estranho meu pai ter falecido logo depois de ter sido ameaçado de morte. Três horas depois. A briga foi meia-noite e ele foi morto umas três horas da manhã. A gente quer justiça. Meu pai levou três tiros, um na cabeça, não tinha necessidade disso. Meu pai é um homem honesto, trabalha todos os dias, estava indo trabalhar, com a Kombi carregada”, desabafou Franciele.
A família também afirma que os criminosos não levaram qualquer pertence de Rui. Dinheiro, cartões e o celular permaneceram com a vítima, e a porta da Kombi sequer teria sido aberta. Para os parentes, essa circunstância afasta a hipótese de assalto.
Com informações obtidas durante as diligências, o serviço de inteligência da Polícia Militar localizou um endereço ligado ao suspeito dos disparos, em Contagem. O homem foi encontrado e preso. Nada de ilícito foi localizado durante a busca pessoal. Ele permaneceu em silêncio e foi levado à delegacia, onde ficou à disposição da Polícia Civil. Depois de prestar depoimento, foi liberado.
A inteligência da PM continua procurando imagens de câmeras de segurança que possam contribuir para o esclarecimento do homicídio. A ocorrência foi registrada pelo 49º Batalhão da Polícia Militar. A família pede que eventuais testemunhas ou pessoas que tenham imagens do crime repassem as informações às autoridades.


