Um adolescente de 17 anos morreu após ser baleado por um policial militar que estava de folga na tarde de sábado (24), no bairro Alto Vera Cruz, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O caso ocorreu no Beco Janete Monteiro, na comunidade conhecida como Buraco do Sapo. A dinâmica do episódio é investigada e reúne versões diferentes apresentadas pelo militar e por familiares e testemunhas.
Segundo o boletim de ocorrência, o soldado, lotado no 22º Batalhão da Polícia Militar, caminhava pelo beco para visitar o avô quando encontrou o adolescente com uma garrucha calibre .22. O policial afirmou que ordenou que o jovem deixasse a arma no chão. Ainda conforme o relato registrado, o adolescente teria se virado em sua direção e efetuado um disparo.
O militar declarou que reagiu à suposta ameaça e atirou contra o adolescente. Depois dos disparos, ele teria recolhido a arma que estaria com o jovem, procurado abrigo e acionado reforço por meio do telefone 190. De acordo com o registro policial, moradores hostilizaram o soldado, que precisou ser retirado da área por equipes do Grupo Especializado em Policiamento em Áreas de Risco, o Gepar.
O adolescente foi socorrido por moradores e levado ao Hospital João 23. Apesar do atendimento médico, ele não resistiu aos ferimentos e morreu na unidade de saúde.
Família contesta versão apresentada pelo policial
Familiares e testemunhas ouvidos após a ocorrência contestam a versão apresentada pelo militar. Segundo os relatos, o adolescente estava sentado na entrada do beco quando o policial se aproximou. Ele estaria acompanhado de outras crianças, entre elas o irmão, de 6 anos, e um primo, de 11.
Parentes e vizinhos afirmam que o policial, que seria vizinho da vítima, teria ordenado que as crianças se afastassem antes de efetuar os disparos. As testemunhas também disseram ter ouvido aproximadamente 14 tiros. Imagens feitas depois da ocorrência mostram cápsulas de munição espalhadas pelo chão.
A família informou ainda que o adolescente cumpria medida socioeducativa por envolvimento com o tráfico de drogas e costumava passar os fins de semana na casa dos pais.
Policial já havia registrado ocorrência contra o adolescente
O boletim de ocorrência registra que o soldado afirmou ter feito, em agosto deste ano, um registro contra o adolescente. Segundo o militar, naquela ocasião o jovem teria feito ameaças, dito que integrava a facção criminosa Comando Vermelho, conhecida pela sigla CV, e declarado envolvimento com o tráfico de drogas na região.
Após o episódio de sábado, o policial prestou depoimento na sede da 128ª Companhia da Polícia Militar. Ele também foi submetido ao teste do bafômetro, que apresentou resultado negativo para o consumo de álcool.
A arma utilizada pelo militar e a garrucha que, segundo a Polícia Militar, estava com o adolescente foram apreendidas. Conforme o registro, a garrucha tinha uma munição picotada e outra intacta.
Polícia Civil instaurou inquérito
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que peritos estiveram no local para recolher vestígios e levantar informações sobre a ocorrência. O corpo do adolescente foi encaminhado ao Instituto Médico Legal André Roquette e, depois dos exames, liberado para os familiares.
Um inquérito policial foi instaurado para apurar as circunstâncias da morte. A investigação deverá analisar os vestígios encontrados, os depoimentos prestados e as versões apresentadas pelo policial, pelos familiares e pelas testemunhas. Segundo a Polícia Civil, outras informações poderão ser divulgadas à imprensa conforme o avanço dos trabalhos.


