O senador Flávio Bolsonaro (PL) prepara-se para a reta final da campanha presidencial, que culminará no segundo turno marcado para o próximo domingo, dia 25 de outubro. Com uma estratégia voltada a consolidar seu apoio entre eleitores de menor renda, o candidato tem direcionado seu discurso para temas como segurança pública e o aumento do custo de vida, além de intensificar esforços de mobilização junto a aliados e lideranças regionais para ampliar sua votação.
Nos dias que antecedem a eleição, Flávio Bolsonaro tem concentrado suas ações na tentativa de conquistar votos de indecisos e estimular o comparecimento de seus apoiadores às urnas. Para isso, sua campanha tem escalado lideranças estaduais e influenciadores digitais, que continuam a divulgar propostas e promover atos de rua em diferentes regiões do país. No sábado, dia 24, o senador participará de eventos em Belo Horizonte, onde ocorrerá uma motociata organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), e também encerrará sua campanha em Copacabana, no Rio de Janeiro, local onde iniciou sua jornada eleitoral em agosto.
A disputa pelo Palácio do Planalto chega aos seus momentos finais com pesquisas de intenção de voto indicando um cenário de empate técnico entre Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A pesquisa Quaest, divulgada na quarta-feira, aponta o senador com 45% das intenções de voto, enquanto Lula registra 44%, ambos dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Já a pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira, mostra um cenário mais acirrado, com Flávio com 47% e Lula com 46%, também dentro da margem de erro. No primeiro turno, realizado em 2 de outubro, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, o que representou uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos ao senador.
A estratégia de campanha de Flávio tem focado na mobilização de eleitores do Sudeste, região que concentra os maiores colégios eleitorais do país, especialmente em São Paulo, onde o apoio ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi decisivo para a reeleição no primeiro turno. Aliados do senador afirmam que Tarcísio tem dedicado esforços para manter a participação dos eleitores paulistas, incluindo a mobilização de prefeitos e a realização de ações como motociatas. Além da mobilização presencial, a campanha também investe em ações digitais, com vídeos produzidos por influenciadores, coordenados por Pablo Marçal, que orientaram os participantes a focar em propostas, estimular o comparecimento às urnas e evitar ataques aos adversários, especialmente relacionados às mudanças no Bolsa Família.
Outro foco importante da campanha é o eleitorado feminino nordestino, para o qual estão sendo reforçados materiais de divulgação específicos, na tentativa de reduzir a rejeição ao apoio à família Bolsonaro na região. Nas últimas semanas, a campanha também tem apresentado propostas voltadas às classes de menor renda, como o programa “Vira Pix”, que promete devolver parte dos gastos dos brasileiros por meio de um sistema de cashback, além de reforçar a mensagem de que não haverá extinção de programas sociais.
Nos últimos dias, a campanha tem reforçado temas como segurança pública, com ênfase em propostas de encarceramento e combate à criminalidade, além de explorar criticamente o aumento do preço de alimentos e o endividamento das famílias brasileiras. Para o debate final, marcado para esta sexta-feira na TV Globo, a estratégia de Flávio é ajustar o tom do candidato, priorizando a apresentação de propostas e tentando reduzir o confronto verbal que marcou sua participação em debates anteriores.
A reta final da campanha, portanto, evidencia uma intensificação dos esforços de mobilização e comunicação, com o objetivo de consolidar votos e evitar a abstenção, que pode ser decisiva na definição do segundo turno.


