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Carlos Alberto de Nóbrega permanece internado após contrair vírus Coxsackie que agravou sua insuficiência cardíaca

Carlos Alberto de Nóbrega permanece internado após contrair vírus Coxsackie que agravou sua insuficiência cardíaca

O apresentador e humorista Carlos Alberto de Nóbrega, de 90 anos, encontra-se hospitalizado desde a última sexta-feira, dia 16 de outubro, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após ser diagnosticado com infecção pelo vírus Coxsackie. Embora considerado um vírus de baixa gravidade na maioria dos casos, a infecção agravou o quadro de insuficiência cardíaca preexistente do artista, levando à necessidade de intervenção cirúrgica para implantação de um marcapasso, prevista para esta terça-feira, dia 20 de outubro.

A assessoria de Nóbrega confirmou que o procedimento será realizado para tratar as complicações cardíacas relacionadas à infecção. O vírus Coxsackie, pertencente à família dos enterovírus, é bastante comum e amplamente presente em ambientes diversos. Ele se divide em dois grupos principais, A e B, contendo 23 e 6 tipos, respectivamente, e está associado a uma variedade de doenças, dependendo do tipo e da região do corpo afetada. O apresentador possui o tipo 2 do vírus, embora não tenha sido especificado se é do grupo A ou B.

O vírus Coxsackie A é mais conhecido por causar manifestações na pele, mucosas e trato gastrointestinal, incluindo doenças como síndrome mão-pé-boca, dor de garganta e conjuntivite. Por outro lado, o grupo B pode afetar o sistema nervoso central, o coração, o pâncreas e o fígado, podendo levar a complicações mais graves, como miocardite — inflamação do músculo cardíaco — e meningite viral, embora essas sejam ocorrências menos frequentes.

A transmissão do vírus ocorre por meio de gotículas respiratórias, como tosse, espirro ou fala, além do contato direto com secreções, mucosas ou líquidos de feridas e bolhas. A disseminação também pode ocorrer por contato indireto, ao tocar objetos, superfícies, brinquedos, roupas ou alimentos contaminados com secreções ou fezes de pessoas infectadas. Essa facilidade de transmissão faz do Coxsackie um agente comum em ambientes como creches e escolas, especialmente entre bebês e crianças de 5 a 10 anos, que frequentemente apresentam quadros leves, autolimitados e sem necessidade de diagnóstico específico na maioria dos casos.

Especialistas explicam que a infecção pelo vírus Coxsackie pode migrar para o tecido muscular, provocando uma resposta inflamatória imunológica. Essa inflamação pode resultar em edema e interferir no sistema de condução elétrica do coração, levando a danos musculares e, em casos mais graves, insuficiência cardíaca ou até morte súbita. O cardiologista Ricardo Cals, do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília, reforça que o risco de quadros graves é maior em indivíduos com imunossupressão, como idosos, devido à fragilidade do sistema imunológico na terceira idade. O tratamento, na maioria das vezes, envolve medidas de suporte, como repouso, já que a infecção tende a se resolver espontaneamente em uma ou duas semanas.

O cardiologista Álisson Filiphe, do Hospital Brasília, destaca que uma das complicações sistêmicas possíveis é a miocardite, uma inflamação rara causada pelo vírus Coxsackie A, que entra pelo trato digestivo e se dissemina até alcançar o músculo cardíaco. Essa inflamação pode desencadear alterações no ritmo cardíaco, incluindo arritmias, como aceleração ou bradicardia, além de sinais clínicos de insuficiência cardíaca. Ambos os especialistas ressaltam que, embora existam medicamentos capazes de proteger o tecido miocárdico, a maioria das infecções por Coxsackie tende a evoluir de forma autolimitada, com resolução espontânea após algumas semanas.

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