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Conclusão do aterramento da rede elétrica no Morro do Papagaio está prevista para 2031, após acordo judicial

Conclusão do aterramento da rede elétrica no Morro do Papagaio está prevista para 2031, após acordo judicial

Um acordo firmado durante audiência de conciliação no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) estabeleceu que a rede elétrica instalada em áreas de ocupação no Morro do Papagaio, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, será completamente aterrada até maio de 2031. A medida visa garantir a regularização fundiária da área e suspende temporariamente as ações de reintegração de posse referentes às linhas de transmissão da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Segundo o cronograma apresentado, a contratação dos serviços de aterramento deve ocorrer até junho de 2027, beneficiando mais de 520 famílias que vivem na comunidade há décadas.

O anúncio do planejamento foi feito na última sexta-feira (9), durante uma audiência de conciliação no TJMG, e as informações foram divulgadas oficialmente nesta quarta-feira (14). A iniciativa representa uma vitória para os moradores do Morro do Papagaio, que reivindicavam a regularização de suas residências e a retirada das redes de alta tensão que, há anos, sobrevoam suas casas. A proposta foi recebida com entusiasmo por parte da comunidade, que há anos luta contra a ameaça de despejo e busca melhorias na infraestrutura de suas moradias.

A representante da comunidade, Maristela Paloma, que atua como agente comunitária de Cidadania e vive no Morro do Papagaio há 41 anos, destacou a importância do acordo. Ela afirmou que a comunidade vive um momento de esperança, ressaltando a luta iniciada em 2009 contra as ações judiciais de reintegração de posse. “Hoje foi um dia de muita alegria para nós todos da comunidade. Lutamos desde 2009 contra a reintegração de posse pela via judicial”, declarou.

A questão da rede de alta tensão instalada há décadas sobre dezenas de residências foi um dos principais motivos de conflito. Em 2022, o portal Hoje em Dia noticiou um protesto de moradores e lideranças locais contra a tentativa da Cemig de retirar famílias da região, pedindo que as casas fossem desocupadas para a manutenção ou substituição da rede elétrica. A instalação da rede de alta tensão sobre as casas gerou preocupação com a segurança e a integridade das moradias, além de dificultar a regularização fundiária do território.

O acordo também prevê a inclusão do território na faixa de servidão no plano de regularização fundiária municipal, coordenado pela Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel). A Cemig compromete-se a solicitar a suspensão imediata e por prazo indeterminado de quaisquer ações de reintegração de posse relativas às áreas afetadas, além de solicitar a desistência desses processos à medida que as obras avançarem, sem custos adicionais para as partes envolvidas.

Para manter o diálogo aberto e transparente, a concessionária se compromete a informar a comunidade sobre as etapas do projeto por meio de um plano de comunicação específico. Além disso, uma associação comunitária será criada em até 90 dias, com o objetivo de facilitar a interlocução entre moradores, entidades e os responsáveis pelo projeto. A Cemig solicitou ainda que os moradores relatem edificações que apresentem riscos e evitem novas construções até a conclusão das obras de aterramento.

A desembargadora Shirley Fenzi Bertão, que conduziu a audiência, destacou a importância do entendimento alcançado, afirmando que a mediação permitiu uma solução que equilibra a segurança da rede elétrica e os direitos das famílias. “Durante muito tempo, esse conflito foi visto como uma escolha impossível: ou se garantia a segurança da rede elétrica, ou se preservavam as casas das famílias. A mediação permitiu mudar a pergunta”, afirmou ela. “A rede ficará mais segura, o Município poderá avançar na regularização fundiária e, principalmente, as famílias do Morro do Papagaio permanecerão em suas casas”.

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